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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

UM MEDO ME ASSOLA



Sentei-me sobre a erva
Olhando o azul do rio,
e o orvalho do salgueiro.
Respirei o ar frio.
Nos meus olhos um fio de sol
despontava.
Lembrei nossos corpos
quando a gente se amava.
Claro despertou o dia!
E as romãs se abriram
Trinavam  pássaros inquietos
Lembro  dias que se seguiram.

Ao longe o melro e o assobio
E as brasas de sol que rompem
Vou olhando o azul do rio
Sonhando,
sonhos em turbilhão,
Enquanto o vôo rasante e mais livre
Me liberta o coração.

Nasci olhando o rio
Dele trago a nostalgia,
a frescura,
a dança das águas,
neste destino em fuga.
O nevoeiro do esquecimento
A ternura e as mágoas
Tudo no relampago dos meus olhos.
Onde se abre o firmamento.

Um medo me assola
No rosto um  golpe de vento
O crepúsculo amadurecido,
passou o dia e o salgueiro chora.
As madressilvas embaciadas
pelo orvalho do entardecer
É hora!
De descansar as lembranças cansadas,
de aprisionar  a vida no sonho
Sonho que põe agora
estrelas nos meus olhos
e me deixa nesta moleza
que me embriaga.
Já a lua se embeleza
E a vida se apaga.

rosafogo
natalia nuno

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