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domingo, 3 de julho de 2011

ÚLTIMO INSTANTE



Devagar subo a ladeira
Olho os goivos e os malmequeres
Até que Deus queira,
Lá vou subindo o empedrado
Será que ainda me queres
Com a força do abraço apertado?
Ouço o rumor da vegetação
Sinto o frémito do teu abraço
Espero um sinal de ti
Um sim...ou não!
Para te seguir sem cansaço.

Surge um cheiro a maresia
E eu descanso da viagem
Espero a hora, anseio o dia
Para erguer os olhos com coragem.
Já me confunde o vento
E o gotejar da água
Nenhum rumo, nenhum lamento
No teu lugar mora a mágoa.

Ouves os pássaros que não cantam?
E o rasto das nuvens que choram?
Caem gotas na lembrança me desencantam
Minhas mãos postas já não oram!
E assim meu olhar endurece
Meu sorriso é estrela cadente
Faço agora uma última prece
Para que o amor em nós
seja sol nascente.

Já o vento atravessa as folhas
Deixando-as por aí à solta
Meu amor quando me olhas
O amor me trazes de volta.

rosafogo
natalia nuno

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