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quarta-feira, 9 de maio de 2012

DESENHO VIVO

















Olho ao espelho o rosto
Miro uma paisagem de outono
Viva... apenas uma centelha de luz
do sol-posto.
E restos de pégadas onde o sol pousou.

Agora ao abandono....
Apenas sombras do barro que o rosto
moldou.

Caem meus olhos no chão.
O espelho se cala num silêncio
louco.
Minha boca tem sede,
 e o coração
fica quebrado, pouco a pouco.
Sou agora um rio que segue
caminho,
levo o espelho na bagagem,
e na visão manifesta-se ainda com carinho
a memória doutra imagem.

Meus olhos buscam em vão,
o  rosto que foi água pura,
já não o vê, mas sente, numa obssessão,
a austeridade do tempo,
e, com ternura
esquece a ferida e lembra sómente,
a saudade da imagem de antigamente.

No chão da minha pele
Nascem flores com a leveza do vento
Onde pousam abelhas fabricando mel
Com que adoço meu pensamento.
Pensamento que corre vagaroso
e paciente
Nunca se perde no seu vôo
Mas já o outono sente!

Acumula-se o nevoeiro que nele
se abrigou.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net


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