domingo, 8 de setembro de 2024

palavras que sou...



vou urdindo palavras
em terra fértil
procuro a paz, na fantasia
dum instante feliz!
nada é inútil
é meu coração quem o diz.

a memória não está esquecida
remeto-me à minha saudade
e apago da mente
o marasmo da vida

vão caindo os sonhos
palavras vão ficando enoveladas
de tudo vou percebendo a queda
vem o vazio, em que o que resta, 
- são nadas.

acudo ainda, 
ao chamamento dos versos
na noite que não finda
e aprofunda o pulsar do coração
e assim vou vivendo
deste esforço vão.

natalia nuno
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segunda-feira, 2 de setembro de 2024

rio de sonhos...





nada dói mais que a saudade
d'algum instante,
já distante
que sobrevive na memória
que me prende de ansiedade
e que de consolo me embriaga

abrem-se na minha pele
estradas batidas p'lo vento
põe-se o pensamento em delírio,
que estranho sentimento!

a noite eleva-se sossegada
escuto o nascimento da  madrugada

um rio de sonhos me envolve
logo se esfuma a realidade
esqueço a solidão
chega até mim a saudade

deixo-me cair no sonho,
na felicidade da brisa que flutua
entre a erva do verão

e, as palavras perdidas
nos dedos da minha mão.

natalia nuno
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oculta linguagem...



palavras duras aprendidas
enrugam-me o rosto,
saem da mente em debandada
despertam lágrimas
à beira do abismo
preparam a mágica passagem
desta viagem.

a foice violenta se aproxima
mas nos olhos trago o sonho,
à vida tenho estima.

o invisível sino já dobra
com um toque desconhecido
a poeira do caminho redobra
deixa o dia a dia ferido!

e na  névoa
que cresce no olhar,
encontro a resposta que
queria ignorar...

natalia nuno
imagem pinteret

caminhando...


despenham-se as pinhas
no vazio das horas
o tempo cansado,
enquanto caminhas
pelo pinhal ao fim da tarde
esqueces a queda,
- essa é a verdade!

- perdes as palavras
procuras o sonho, na esperança
de puderes correr
como em criança.

memórias te aproximam
da distância
olhas a tua sombra
soluças a tua ausência
agora que não te tens

é vidente a tua dor
mas carregas no coração amor,
de onde vens?!
não te afogues na tristeza,
amanhã é outro dia
a tua leve escrita
- trará mais beleza!

pássaros ocultos nos teus olhos
dar-te-ão asas...

natalia nuno
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sexta-feira, 30 de agosto de 2024

fantasio...


até a natureza traz tempestade
quando ninguém espera
desfolha a última rosa aberta
do jardim,
minha alma voa mais longe
e a saudade toma conta de mim

nas margens deste rio diário
fantasio...
deixo as tristezas em cacos partidos
e sonhos maus, são folhas secas
para sempre perdidos

acabo com a solidão
o caminho foi longo, num tempo
curto
deixou meu coração
- sem motivação!

ao pensar como distantes 
os meus dias felizes
abstenho-me da realidade, 
entro em invenção
e de saudade vivo alguns instantes 

natalia nuno
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quarta-feira, 28 de agosto de 2024

desalento...


é tudo tão confuso
que já tudo ignoro
e deixo até de me ouvir
a tristeza abre as janelas
quando choro
e eu só penso em partir

e quando o esquecimento
reclama
as palavras fogem insolentes
o amor perde a chama
sinto o coração a pulsar
em derepentes

a memória à fronteira do nada
talvez se despenhe em redemoinho
no esquecimento afundada,
a cortar o sossego do caminho

aliado ao desalento
o coração vigia
enquanto o pensamento
avança na sua letargia.

natalia nuno
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por enquanto ainda lembro...



Que lonjura! tempo desmedido,
tempo em que era jardim
o pensamento voa,
até esquecer-me de ti
e de mim, e
não há dor que não doa

acendem-se luzes na rua
por enquanto ainda lembro
o dia em que fui tua.

que dia é hoje?
- de saber abro mão!
é mais um que me bate à porta
a dar lugar às sombras
sonâmbulo, caído anda 
o coração.
meus olhos não sentem mais
que o ar,
meu corpo cascata de sede
dia a dia a melancolia,
só as sombras têm lugar!


natalia nuno
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