- leio noite fora meus papéis que conseguiram ter existência ao longo de anos, neles, todos os sonhos, em palavras que ainda parecem esperar pela realização dos mesmos, vigilantes, por detrás de alguma sombra que os encerra entre quatro paredes... tudo se reduziu a palavras escritas e deixadas ao abandono, enterradas no tempo, parecem não poder perdoar-me...leio-as angustiada, já não lhes ouço as vozes, nem os olhares, nem sensações hoje bateram no coração, neste reencontro...o silêncio e um negro vazio, companheiro das noites que afundam num subtil desassossego, neste mar sombrio, em que as palavras, rompem a noite enferma...
natalia nuno
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