- o que vou fazer comigo?
ainda tenho medo do escuro do corredor, ainda me deito do lado mais encostado à parede, ainda sofro com os ruídos das tabuas do soalho, tapo a cabeça com o cobertor de papa para não ouvir o corujar das corujas, o sono detem-me, e eu lembro todas estas memórias, de manhã era toda a luz que chegava ao pequeno quarto, entrando pela janela pequena trazendo-me ternura e sossego, depois dum sono inquieto...em troca da paz rezava uma avé maria, da obscuridade da noite, não lembrava mais, nos dias em que o sol era cego e ventava chovendo, ficava quebradiça, mirando atrás das vidraças da cozinha pequena da avó,o mau tempo e sonhava fechando as pálpebras à espera de poder de novo correr pelas ruas da aldeia... e uma mão, a mais macia de sempre acariciava-me
- era a avó com suas asas que me protegia...
natalia nuno
foto minha

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