sábado, 1 de fevereiro de 2020

a linha da mão...



dias há, quando olho a palma da mão
já só vejo nela uma linha
a linha do coração
que é como profecia, a trazer-me
o passado, enquanto o presente
murmura já tão perto,
e o sonho caminha pelo deserto.
a alma por dentro chora
e eu sinto o calor da pulsação
enquanto a angústia
desce à minha mão.
e escrevo, enquanto os olhos embaciam
e as dúvidas são um mar
sinto-lhe o tremor, ao escrever sobre o amor
que o coração não quer calar.

e é na noite ao desamparo
que é maior a dor
mas não páro de escrever com ardor
e assim acalmo o vazio e a mágoa
e vou esculpindo versos d'água.

e na noite constelada me sinto amada
entre o passado e o presente
há uma fronteira
impossível ultrapassá-la, é como fogueira,
para traz ficou aquilo que não esquece
e que ainda me aquece,
a linha da mão, vai fazendo a despedida
silenciosa, sonhos de cor rosa
é já difusa a recordação...
o caminho apaga-se com o vento
e os sonhos são agora de ilusão

natalia nuno
rosafogo


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