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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Muros do esquecimento




já não pousam os pássaros
nesta árvore de ramos nus
nem os sonhos têm encontro
marcado
neste pedaço de vida
aprisionado...sem luz!
só a solidão altiva
ameaça precipitar-se
sobre quem sonhou outrora,
e vem agora sorrateira
enfeitar-lhe o rosto
rasgar-lhe a pele
num amargo fel.

nem que seja só uma réstia
de esperança
há-de habitar-lhe sempre
a mente mais uma lembrança
que irá colhendo... uma a uma
com paixão,
e se um dia ficar sem nenhuma
morrer-lhe-à o coração.
a memória será espelho partido
pássaro solitário, silencioso,
virá o silêncio depois das palavras
será a ausência sobre todas as coisas
ganhas e perdidas,
um sol misterioso,
que se esconde atrás das nuvens,
como vestígios de vivências estremecidas.

natalia nuno
rosafogo




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