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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

lembranças miúdas IV

























Há imagens na minha memória umas vezes densas outras claras, e é entre o deitar e o adormecer,
que elas surgem como pássaros voando, ou como faróis acesos e fazem render a minha saudade.
Então é como se minha cabeça fosse um prado verde em Maio de onde não arredam pé. passo a olhar o ondular dos trigais, e eu sou uma andorinha espantada tocada pela emoção, salto prá beira do rio e gosto da imagem nele reflectida, colho flores que coloco no cabelo e a paz me acompanha, e tudo é tão real como a esperança em mim. Canto uma velha canção que guardei na memória como um tesouro, e há chilreios vivos, borboletas voando, besouros à volta dos figos pingo-mel, e o rio correndo ao mar...e eu lá, sempre pedindo para ficar.
Logo, logo, daqui a pouco o outono, o sol se deita mais cedo, e o pavão abre suas penas a despedir-se do dia, passa o último carro de bois na estrada poeirenta, atrás o cão preso à carroça, e na frente o boeiro cansado da jornada em passo lento, na esperança de ser breve a chegada a casa.
Estação dos ventos, dos caminhos molhados, está aí à porta o inverno a convidar as conversas junto à lareira acesa e ao conforto dos cobertores de papa...ah! Mas antes, é preciso ir à fonte, nos braços a filha, à ilharga  ou à cabeça a bilha e a noite desce, o céu sem estrelas, a lua não aparece, o tempo faz medo, mas as brasas continuam a arder...e eu não vou esquecer. Saudades de mim.

pequena prosa poética.


natália nuno
rosafogo
imag. net

2 comentários:

manuel marques Arroz disse...

A vida é feita de momentos e este é um momento lindo.

Beijo.

Natalia Nuno disse...

Obrigada Manuel, tudo bom para ti.

Beijinho, fica bem bom domingo.