sábado, 11 de junho de 2016

réu de mim mesmo...




meu espírito poético,
aquele que vagueia como um duende fascinado,
ressuscitando a minha infância,
tocando o sonho e esquecendo a realidade,
ressuscita lembranças até ao esgotamento
e com elas traz-me a saudade...
só ele sabe falar-me do tempo
do tempo que conspira contra mim,
é este espírito, a luz que me olha assim
e que me faz esquecer
os dias
que me esvaziaram os olhos,

e num esforço palpitante, 
num chamamento ofegante
pega-me na mão e dita-me o que escrever

sede d'amor, dores, alegrias
uma e outra vez
até a carne me rasgar
e eu num silêncio de pedras
escrevo até cansar...




natalia nuno
Lausanne 05/06/2016

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