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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

uma luz matinal





pequena prosa

vou fatalmente falar de lembranças, pois que mais poderia ser!?

a luz matinal já ilumina as águas do rio que se precipitam açude abaixo, como uma lágrima imensa derramada  nos nossos rostos como uma canção que nos deixa uma promessa de frescura cristalina, o aroma que palpita no ar essa embriagadora essência é da flor de laranjeira, de tanta laranjeira que perfuma a aldeia…nas paredes brancas da casa uma buganvília persiste e não quer desistir, prossegue o seu destino e em cada primavera se agarra à vida, apesar da tristeza que vem de dentro dessas paredes, e eu tão inteira assisto a tudo isto com um silêncio de medo que me aprisiona a alma crendo com pesar que já nada é o que era, os salgueiros contam-me coisas incríveis, eles que assistem a tudo que se passa durante quatro estações, que veêm nascer e morrer, que amanhecem em lágrimas de orvalho, que olham a terra e se precipitam sobre as águas do rio, eles os loureiros tão velhos quanto eu falam-me do passado, fazem parte de mim como o sangue que me corre nas veias e estão sempre nos meus sonhos, contam-me mágicas histórias como em criança, quando a vida ainda era um poema d’amor…os pássaros hoje estão ocultos e eu orfã de mim mesmo…

natalia nuno
rosafogo
aldeia 4/2015

1 comentário:

YellowMcGregor disse...

Uma prosa linda, cheia de poesia. Assim, a vida continua a ser um poema d’amor… e os pássaros deveriam se mostrar com todo o seu esplendor.


Com um ramo de :-)