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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

refúgio...


é ao espelho que entendo
o passar do tempo
no silêncio, olhando o rosto e vendo
o cansaço reclamando através dos
meus olhos
e a recordação quase soterrada,
cansada de chuvas e ventos
que assolam meus pensamentos.
olho  o espelho como uma estranha
que segue num reino de negrura,
acolhe-me a palavra tamanha
que chega até mim... e é ternura

sinto-me um ermo, fico ausente de mim
meu rosto permanece sombrio
e não há calor nem frio,
nem sentimento algum nesta hora
que me conforte, o coração chora,
o vento agita minha memória

e logo me refugio no esquecimento
como uma criança para quem a alegria
é imortal, esqueço a estranha, e a
realidade, deixo-me de volta na saudade...
palpita de novo em mim um mundo
de esperança
e eu prolongo o meu voo
por espaços onde não há dor...

o peito salta, sabendo-se vivo.

natalia nuno

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