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sábado, 15 de fevereiro de 2014

eco da saudade




Queria ser inda menina
no balouço a balouçar
ouvir de novo os sons perdidos
e num abraço deixar-me pelo corpo
da mãe a escorregar...
Coisas tão simples... mas tamanhas
que aos outros parecem estranhas.
Queria ser inda a menina
da escola e dos laços
feliz, ou quase sempre assim foi
seus passos, hoje ao relembrar
é dor de saudade que dói.

Hora que passou, mais uma a passar,
o rio, riu e chorou e de mim ficou
com pena, quando o balouço quebrou
também eu chorei por não puder mais
balouçar...
Na oliveira suspensa,
ao sabor da ventania
balouçava horas a fio, e ali adormecia.
A saudade me traz a ânsia,
e, ao apelo da minha voz, surge um eco
à distãncia, lá longe onde tudo é sonho
agora, um sonho que se eterniza
como a água do rio que desliza
num correr que não cansa...

Enquanto isso a vida avança!
Queria ser inda menina
beijar o pai docemente
ouvi-lo chamar-me dez réis de gente,
coisas tão simples... mas tamanhas
que aos outros parecem estranhas
e a que eu chamo de «saudade»...

natalia nuno
rosafogo





2 comentários:

PÈTALA disse...

Olá Natália


A menina e moça que há em ti
Não conhece tempo, ou idade
As traquinices que em ti sorri
São ecos, dessa linda saudade!


Quem pela vida muito andou
E a canta assim desta maneira
Nunca esquece o que passou
Desde amores, á brincadeira!


Mais um poema onde passeias e deixas sobressair a tua saudade. E só é possível porque o amor intrínseco está bem patente desde muito, menina! A infância e adolescência serão sempre determinantes no “bom ou mau sentido da vida.” Pelos teus relatos, e pese embora todos os sacrifícios inerentes a um tempo difícil, o amor andou sempre contigo! Foram flores semeadas nesse coração que nunca deixa de florir!

Beijo

João


Natalia Nuno disse...

Mais um poema de saudade João, vamos ver até quando, me dá para escrever...
Como calculas nem tudo foram rosas na adolescência, os tempos eram difíceis, mas ainda assim, as saudades vão-se avolumando com o passar do tempo, pois também houve muita coisa boa, muita amizade que ainda conservo, e o meu chão que tanta vez me vem à memória.
Agradeço a tua vinda, hoje dei contigo no Luso, sabes que alguma coisa me chamava lá, não tinha intenção até porque já tinha respondido a todos os comentários, mas o que é certo é que mesmo assim lá fui e gostei, acho que tens coisas bonitas para lá partilhares e olha que para começo nada mau, muitos amigos já fizeste, como penso que já te disse, há muito por lá que não interessa, melhor mesmo é passar ao lado.
Beijinho