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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

ALDEÃO (dedicatória)



Esse laivo de perfume
Que ainda hoje me recorda
Como era teu costume
O lencinho da algibeira
e o cigarro ali à borda.

Como era teu costume
Lá seguias na pedaleira
com pedalada certeira.
E esse laivo de perfume.
O nó da gravata bem feito
Tudo corre claro
no meu espírito...
Recordo esse teu jeito.
Sempre o mesmo assobio na boca,
tua unica vaidade
coisa pouca.

A melancolia estampada no rosto
E uma mão cheia de tristezas
Quando o Sol já era posto
Mais um copo
Te arrancava das profundezas.
Incapazes de te compreender
Indeciso e impotente
Não paravas de beber
Pensando assim ser gente.

Tua arma era o esquecimento
E também o perdão
A inimigos desconhecidos
Que sem coração
Te sugavam o corpo e a alma
Como podias ter calma?
Sempre a conversa queixosa
Acerca das misérias
Curvares-te á vida ruidosa,
custosa...
E ainda fazeres-lhe vénias.

Com a mão na algibeira
E um sorriso de desespero
Seguias na pedaleira
Com sonhos
Destinados à partida
a não ser sonhos
Que raio de Vida!
Mas com uma certa ironia
Tu insistias com a vida
E ela contigo insistia.

És hoje um homem a negro desenhado,
na minha memória
Aqui plantado p'la minha mão
Fazes parte da minha história
Guardo-te no melhor sítio
Que é o meu coração.

Nasci do Povo
Memória de mim.

rosafogo
natalia nuno

imagem retirada do blog
imagens para decoupage.

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