sexta-feira, 12 de julho de 2019

rondam dias incertos...



rondam os dias incertos,
dançam cortinas de névoa no caminho
morre o sol na minha face aos pedaços
meu pensamento em torvelinho.
são agora inúteis os passos.
já nenhum espinho me fere nem choro
que me dilacere,
meu riso em botão, é estrela apagada
meu olhar é fogo-fátuo
e há lírios místicos na minha garganta
calada...

agita-se a memória,
já o estio nela habita
rondam sombras de desalento
tapo os ouvidos, não quero saber
se a morte me grita,
trago as asas mutiladas, e esforço-me por entender
porquê, o tempo as consumiu na voragem
deixou meu vôo, sem me reconhecer.
não me falem de nada, deixem minha lágrima fria
e esta cortina cerrada, em mim, noite e dia,
e nesta imobilidade, apoderar-se de mim a
saudade!

natália nuno
rosafogo
imagem pintarest

2 comentários:

Maria Rodrigues disse...

O outono da vida trás muitas vezes a incerteza dos dias futuros.
Nostálgico e belo poema
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria

orvalhos poesia disse...

No outono da vida
há duas noites de lua
numa está o luar de partida
na outra o desalento flutua

Sen dúvida Maria, que é um tempo em que nos sentimos frágeis, mas ao mesmo tempo é de paz, usufruímos de liberdade desde que a saúde não falte, daí também ser um tempo incerto. Fica bem grata pela visita. Beijinho