quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

enquanto a noite dorme...



hoje não escrevo palavras de sonhar
lavo as mãos no rio deixo-me banhar pelo luar
vou semeando em liberdade
como areia a deslizar, palavras que
vão falar-vos de saudade

quebrei de tanto remar
trago a alma desistente
como barco a afundar,
mas a minha mão não se detém
vou semeando em liberdade
aqui e além, palavras que
vão falar-vos de saudade

a curva do tempo é apertada
o inverno apresenta-se sem renovo
a vida é água passada
com laivos de choro e de riso
agora, pássaro que não voa
sem asa, nem paraíso
vou fazendo o meu caminho
dialogo com a minha idade
e como pássaro que não volta ao ninho
venho falar-vos dessa saudade

teimosa esta mão que escreve
linha a linha, palavras q' são esperanças
sementes que ainda hão-de florir
aguardam o porvir, em tardio outono
darão frutos... passará a ansiedade
depois já não venho falar-vos de saudade.

natalia nuno
rosafogo

3 comentários:

Maria Rodrigues disse...

Que a saudade seja amenizada pelas boas memórias do passado.
Maravilhoso poema.
Beijinhos
Maria
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Gracita disse...

Que as boas sementes floresçam, se frutifiquem e possam amenizar a dor dessa saudade
Belíssimo poema, Natália
Beijinhos

Beijaflor disse...

Olá Natália

Tuas letras são rendilhadas como as mais belas filigranas saídas apenas das mãos de grandes mestres. Tais preciosidades permanecerão no tempo e para além dele. A escrita, a tua escrita, será sempre o luzeiro em teu caminho! Quem assim escreve poesia suas asas só terão o céu por limite!

Espero que estejas bem e que jamais deixes de escrever e de nos surpreender.

Beijinhos