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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

tempestade em mim...



hoje meus gestos são lentos
as palavras sem falar
sou como árvore nua com os braços a chorar
de frio, neste silêncio... silêncio
e lá se foi minha alegria, bateu-me à porta a
melancolia...
como é difícil esta melancolia!
e de repente, uma saudade a bater na luz do poente
saudade, saudade que faz doer na gente!
afunda-se o sol no horizonte
meus pensamentos andam a monte
desliguei do tempo, meu rosto amareleceu
fruto da viagem que há tanto dura,
e meu espírito... esse também se perdeu
meus olhos d' água entupiram
e nem os sentidos sentem mais, se é que
algum dia sentiram...

hoje meus gestos são lentos
as palavras sem falar
tudo o que era meu por direito, ficou sem efeito,
desapareceu, sustem-se frágil meu corpo
como barco em tempestade
morrendo a pouco e pouco,
numa dor velada
o coração, lentamente batendo
e o pensamento, não querendo lembrar de mais nada.

num vôo cego sigo adiante,
por entre maduros trigueirais
nas ervas daninhas, deposito meus ais
despenho penas minhas,
que me habitam o pensamento...e esqueço, este meu
desvanecer lento...

natalia nuno


6 comentários:

Maria Rodrigues disse...

Tão melancólico e tão lindo.
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Beijaflor disse...

Olá Natália.

Mesmo no meio desta tua tempestade consegue tecer palavras de pura filigrana! Esse teu nato talento pela escrita e poesia é por demais visível e evidente!

A gripe demora alguns dias a passar. Normalmente com temperaturas altas, dores musculares intensas que obrigam a ficar de cama. A vacina da gripe evita males maiores, deve ser sempre aplicada. Evitar correntes de ar e mudanças bruscas de temperatura. Isto em traços largos. E é apenas uma lembrança pois sabes muito bem que assim é.

A melancolia está sempre á espreita. É mais astuta que a raposa. Devemos arranjar boas trancas para portas e janelas da (mente) para lhe fazer frente. E isso é perfeitamente possível! Dentro do nosso cérebro temos muitos compartimentos onde está tudo guardado. Basta abrir um desses compartimentos onde temos lugares de sonho, e é nesses que se deve ficar o tempo que for necessário até que a malfadada melancolia desista!

Como tenho vindo a dizer por aqui só te deixo entrar coisas positivas. Sim um dia todos vamos morrer, mas até lá há que lutar com todas as forças para ter a melhor qualidade de vida possível. E isso passa muito por aquilo que cada um está disposto a fazer. Nunca se deve renunciar a nada, ir sempre á luta!

As melhoras e tudo de bom

Beijinhos

Gracita disse...

Com requintada fluidez bordada a melancolia você verseja com maestria uma triste agonia
Muito triste porém belo o seu poema querida Natália
Beijos e um feliz domingo

Natalia Nuno/Rosafogo disse...

Grata querida Gracita, bom receber teu elogio, poeta amiga.

Um grande beijinho

Natalia Nuno/Rosafogo disse...

Querida Maria é um prazer a tua visita, chegar e ter-te por perto, fica a minha gratidão, desejo estejas feliz.


beijinho

Natalia Nuno/Rosafogo disse...

Olá João

Grata pela tua preocupação, estou um pouco melhor obrigada pelas «dicas», não tenho saído e ainda estou um pouco debilitada pois o corpo fica dorido, principalmente as costas, mas vai passar.
Quanto ao poema, tu que conheces de há muito a minha maneira de escrever sabes que é sempre este meu lado melancólico que não me deixa fugir inda que queira, o tema tem sempre a ver com nostalgia, o suspirar de saudade, os lugares que trago na memória, tudo suspira e se desarruma na minha cabeça, e depois como num êxtase apanho cada palavra como se fossem estrelas e tento dar sentido ao poema, nem sempre bem, mas a paciência é já pouca e fico por aí pois não gosto de modificar nada, nasce e morre consoante foi meu imaginar no momento.

Não vou desistir, por enquanto, essa força vem muito das tuas palavras,mais uma vez obrigada...parabéns pois és um belo prosador...beijinho boa semana.