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segunda-feira, 29 de maio de 2017

afã de palavras...



guardo palavras na noite
que renascem pela madrugada
deixo-as ao relento enquanto sonho
com a criança de pele rosada,
da qual nunca quererei fugir.
sinto-a como o sonâmbulo vento, num ir e vir
numa cadência quente flutua
na minha retina
um arco-íris que aparece e desaparece no céu
no segredo aprendido, tudo acaba... e eu,
não sou mais eu!

ao longe a menina
fresca polpa, fragrância formosa
gota de orvalho, raminho fresco
orquídea, rosa, riso de laranja
que se atreve a sonhar
miragem distante que em sobressalto
me vem acariciar.
a transparência do instante
leva-me a tocar o horizonte, desperto
e sinto-me na claridade da fonte
miro-me nas águas cristalinas do rio que tocam meu coração
tudo tão distante, mas põe-me ao rubro a emoção

vou sonhando-me numa teimosa nostalgia
numa voragem absoluta,
adormecida sob a ramagem do salgueiro
por todo este tempo oculta a sonhar com a felicidade,
num amor indecifrável à terra, à vida,
num continuado afã de palavras de saudade
recolhida...amando a que um dia fui.

natália nuno
rosafogo







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