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quinta-feira, 26 de junho de 2014

reino da fantasia...



Amiúde me ausento do mundo
ergo-me qual borboleta liberta
num desapego da realidade,
nesse vácuo a felicidade
é certa...
ali fico como se não fosse
nascida,
 lá encontro a juventude
perdida,
o rosto num quê de frescura
com a fronte desenrugada
na flor da idade,
com que ternura me chega
a saudade!
vinte anos, sê-lo assim por toda
a vida,
esplendor de ilusão
que sustenta meu coração

mas a borboleta vai-se definhando
ao tempo insaciável,
reclamando sem esperança,
só o amor lhe dá vontade de viver
de resistir, e a cada lembrança
batalha por não esquecer.

sentada aqui na noite crescente
tempo morto,
sem sopro de vento
escrevo em papel velho esmaecido
esboroando-se a forma, o sentido
e qualquer significado
em sentida saudade
leio e releio, penso e repenso
não vá ter esquecido
o inesquecível dia de noivado,
o gozo do amor e da vida
a felicidade,
e em tudo há um prazer
que me embriaga, me extasia,
então... ausento-me para o reino da fantasia.

natalia nuno
rosafogo





2 comentários:

PÈTALA disse...

Olá Natália


A vida raramente se rege ou se compadece com os caminhos dos sonhos! Mas o ser humano é dotado de muitas capacidades e potencialidades! Somos capazes de reagir às maiores adversidades. Mesmo quando muitos que nos são chegados (e na flor da idade de suas vidas) ficam para sempre pelo caminho!

No caso em apreço do teu poema, o reino da fantasia para além de ser o local indicado, não deixa de ser ao mesmo tempo lugar de muito conforto.


Este é mais um poema onde deixas ler a tua alma em toda a sua profundidade. E com que beleza o fazes!


Apesar de aqui e ali deixares vir ao de cima as tuas fragilidades, mostras ao mesmo tempo uma força ímpar que para além de me deixar contente, é uma garantia de que ainda vais continuar a escrever muitas coisas lindas!


Tudo de bom para ti e para os teus.


Beijos


João



Natalia Nuno disse...

Tenho vontade sim João de continuar a escrever ainda que vá cair sempre no mesmo tema, sempre algo me surge para continuar a cantar a saudade.
Algumas adversidades têm conseguido debilitar-me um pouco, pois nem tudo é um mar de rosas, nem de sonhos, mas se um dia é cinzento, logo outro vem com um pouquinho de brilho e logo também surges tu com tua palavra de ânimo.
Aguardemos para ver se o tempo ainda me consente, lançar algumas sementes e vê-las florir.

Obrigada João pelo teu carinho e palavra amiga

beijo, boa semana