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sábado, 28 de agosto de 2010

ESPANTALHO















ESPANTALHO

Trai-me o tempo
Velha história!
Trai-me o tempo e a memória!
Espantalho! De mim se afugenta a Vida!
Estou num beco sem saída!
Olho à minha volta
Andam nuvens ilusórias
Folhas mirradas voando
E eu espantada, perdida, solta
Histórias inventando.
Na seara, já no fim
Sou espantalho de afugentar
Já fujo também de mim
E para aqui fico, solitária a olhar!?
Chapéu negro, lenço ao pescoço
Vozes de quem?! Só eu ouço!
Casaca de remendos às cores
Garridas a condizer com as flores!
Pregadas com martelo e prego
As flores que tenho ao peito
Entristecidas não nego
Regadas com lágrimas, neste meu jeito.

Onde está o Sol luminoso?
O outro?! O do tempo verdadeiro?!
Ser espantalho é custoso!
Mas assim sou a tempo inteiro.

natalia nuno
rosafogo

Este poema foi escolhido pela Camara de Coimbra, a fim de figurar num folheto informativo dum evento
sobre uma Exposição de Espantalhos a efectuar em Outubro próximo. Fiquei feliz pela escolha.

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