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sábado, 21 de janeiro de 2017

no fundo do tempo




é larga a rua dos anos que já levo
é tão grande o silêncio que nem
me atrevo, e levo apagada a voz
e a angústia desliza no peito
desfeito...
a noite enferma é violência atroz
perco-me nas sombras
desejando horizontes onde possa
prolongar meu vôo
sem jeito, assim me vou...
a vida empurra-me para o nada
o sonho distante, a realidade presente
as sensações batem obscuramente
e vão morrendo na mente soterradas
aquietadas na dor do dia
e da noite, numa frágil porfia.

lentas são as horas
palavras caídas são vento da recordação
e tu que demoras!... recordando-te
sinto o frio irremediável da solidão.

emerjo na firmeza de seguir
vou pespontando os velhos sonhos
de esperança...visto-os com traje de menina
e como se regressasse do fundo do tempo
invento-me como outrora e uma nova luz
me acaricia e ilumina ...dou-te de novo o
coração, e tu me dás a mão.

natalia nuno
rosafogo








2 comentários:

Maria Rodrigues disse...

Aí como o tempo passa por nós.
Maravilhoso poema
Beijinhos
Maria

Natalia Nuno/Rosafogo disse...

Fugaz...a vida é um instante apenas, depois restam os momentos de recordar aqueles que vivemos, as horas cálidas que não voltam.

Agradeço Maria o apreço e desejo boa semana, obrigada
Beijinhos