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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

GENTE DA MINHA TERRA















GENTE DA MINHA TERRA


Longos os anos de provações
Assim a vida reduzia tua dignidade
Caladas as bocas, sofrendo os corações
Gente da minha terra, te recordo com saudade.
Sempre de soluço na garganta
E o suor do rosto a escorrer
Sempre o olhar triste na hora da janta
E o assobio nos lábios para esquecer.

O silêncio era sinistro
A jorna pequena em demasia
Na taberna procuravas euforia, apenas isto
Para enfrentar a enxada por mais um dia.
Votaram-te ao esquecimento
Os grandes que podiam tudo
Verteram a raiva em ti e o lamento
Vestiram-te de rancor, deixaram-te mudo.

Rasgaram-te a pele gretada
Nas mãos sentiste o trigo loiro macio
Pouco tiveste, vergaram-te ao peso da enxada
No frio do Inverno e no calor do estio.
E sempre o demónio a cuspir-te veneno
Eras então um rosto por barbear
Rude nem sempre eras sereno
Tão pouco capaz de emoções mostrar,
na hora de amar.

Tua espinha dobrou trazias o corpo caído
Cabisbaixo, ainda e sempre nas vísceras a agonia
O tempo passou já só memórias dum passado ído
Duma vida dura, onde a utopia perdeu a magia.

Foto com meus companheiros nascidos no meu ano na nossa aldeia, num almoço que habitualmente
fazemos de dois em dois anos.

2 comentários:

FlorAlpina disse...

Olá Natália,
Bonito poema!
E como deve ser bom reencontrar a gente da nossa terra, do nosso ano...

Bjs dos Alpes

Sonhadora disse...

Minha querida
Deixo um beijinho com carinho
Sonhadora