domingo, 28 de dezembro de 2025

poema tímido...



cortejo as palavras sem saber
ao certo, se virão a saltar felizes,
ou então,
- a trovejar, 
deixando os girassóis a tremer 
até meus dedos as libertar

surjam, e tragam curiosidade
e me iluminem os dedos
ou fique apenas a olhar
com saudade
e então invente um novo poema,
- talvez
com alguma timidez

a folha branca morre de solidão
espera p´la minhas mãos paradas
como criança chorosa
de pálpebras cerradas
ou como fruto a apodrecer
e fica o poema por nascer!?

talvez seja só ilusão
e nada venha a acontecer,
ou venha a esperança a irromper
cúmplice duma grande paixão

nnuno
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tempo de melancolia...




folhas de semblante avermelhado
que o outono deixou cair
fazendo um tapete aveludado
que é belo ao pisar sentir

moribundas, caem na terra
fria
é assim do tempo a ditadura
tempo de melancolia,
é também tempo de solidão 
e ternura

geme na noite a escuridão
negra de silêncio e tédio
toda a esperança é posta
entre amor e oração
que ao coração dos pobres
é remédio

é Natal, com canções no ar
perfumado
e de orações
de júbilo incendiado

como se nunca mais pudesse ser
para alguns será solitário e triste
e sem palavras de amor
e conforto, resta a esperança
de sentir em Cristo 
um novo reconforto.

natalia nuno
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

estrelas já não alumiam...



tremem as madrugadas
com chuvas e trovões
e as vidas alagadas
sem sonhos, nem ilusões
desalentadas, ideias em desalinho
uma imensa ventania,
é a vida, em louco redemoinho.

adormecemos nesta sensaboria
somos como almas esquecidas
as labaredas já não inflamam 
o coração, e
as estrelas já não alumiam
a escuridão

trago no pensamento
uma tempestade
e no coração palavras de amor e saudade
que me regam a alma de ternura

os céus aclaram, boa ventura, 
engendra-se o amor por mais um dia
viver um pouco mais, ilumina-se o caminho
e o sonho rodopia
e tudo que sonhei rodopia.


natalia nuno
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sem trégua...



sento-me nesta tarde a tocar a noite, e vou dialogando comigo própria como se quisesse adivinhar o caminho ainda por descobrir, percorro algum passado e vejo-me sempre a sorrir, na criança encantada que ainda me vem seduzir...nada nem ninguém destrói essa imagem, tão perto de mim e tão perdida, penetra-me, mas logo me abandona e a saudade vem à tona, e o frio da vida surge e, logo asfixia...já não aguento o vazio das horas, nem suporto a solidão, os sonhos são migalhas de pão que me separam da morte, estou só, neste comprido corredor, já nada tenho, nem  dor, nem grandes palavras onde me possa refugiar

- escuto o desagregar...


nnuno

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domingo, 14 de dezembro de 2025

palavras sonâmbulas...



como o celeiro abriga o trigo, o coração abriga a saudade, que é uma mistura de amor e ternura,  de afecto, vindo do passado, que arrecado e não deixo passar ao lado, trago na bagagem a memória do que vivi, o que ainda me estimula, e é uma mais valia enquanto a mente funciona... mesmo seguindo sendo eu mesma, à minha frente uma neblina fosca, que me deixa na dúvida, e me põe a caminhar por ruas estreitas, incertas, onde a única certeza, é a vontade que tenho de não me deixar desabar, enquanto restar uma última esperança,.. aguento o vazio das horas, há nelas sentimentos inexplicáveis, que se vão perdendo sem me aperceber, mas que ainda me molham o peito e fazem doer...quero mergulhar no sonho, sentir a correnteza de mansinho, quero depois estar do lado da vida...por vezes minha cabeça trago confusa, porque a torturante saudade se faz acompanhar de ansiedade crescente...

natalia nuno

sábado, 13 de dezembro de 2025

memórias dos dias...



há sempre uma sombra nostálgica no pensamento, que não me permite esquecer, uma lembrança veemente que surge na mente em tempo de melancolia, e descarrega um fardo de ventos e de chuvas, a pedir que lembre mais uma dia, a criança em mim... trazem o aroma da infância e a saudade de quem já me é estranho, a voz já não é a mesma, os gestos foram esquecidos e os sorrisos ficaram là  à distância... figura melancolicamente confundida, mas que ainda me olha com ternura, as imagens cruzam-se no pensamento como aves a recolher ao ramo e, no rosto a ternura, a luz e o sonho detêm-se ainda no olhar, o único que me é familiar... 

- agora no tempo velhíssimo, está tudo perdido entre si, já não há saída deste labirinto, o que existe  do meu mundo é um borbulhar de imagens, um sonho que ficou inacabado, um coração que se agita de ânsia em cada palpitação, e a mente caída na armadilha do tempo... sem remédio, assediada pelo tédio que veste de melancolia o coração.

nnuno

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

vai a lua enfraquecida...

às vezes o poema vem chamar-me baixinho, volta e meia dá-me a mão e ali ficamos a olhar o firmamento e a ouvir as folhas a cair, esvoaçando entre minhas angústias e o vento, depois o definitivo anoitecer, e o poema continua o chamamento, louco, sem fim, sufocando em memórias de mim, resta um pouco de felicidade por tecer, coisas pequenas, lembranças, saudades...agora que estamos em sintonia, e a lua já vai enfraquecida, debruço-me sobre a folha branca com palavra colorida, sorridente, que a vida merece outro poema, vou escrever docemente, dou um golpe na melancolia que me persegue amargamente...e deixo a escorrer os espinhos que me fazem sofrer... 

nnuno
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