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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

refugiada no poema




nada permanece no que é
os corpos se corrompem
a cada palpitar
há sombras nos espelhos mortos
os olhos já nada querem ver
resta a memória dos dias
refugiada no poema
nas horas incertas e fugidias.

nada permanece no que é
mas ainda assim a vida não acaba
a cada passada a morte à espreita
e sempre mais um pouco
o corpo desaba
e a última esperança se deita.

nada permanece no que é
tempestades se apontam ao coração
já não importa o chilreio das aves
o sussuro do rio que corre
sobe-se mais um pouco e avança-se
os passos hesitantes
tudo parece maldição
a memória cansa-se,
num túnel perdida

e logo depois o frio que asfixia a vida

natalia nuno
rosafogo

3 comentários:

Avozita disse...

Deixaste-me sem palavras.
Adorei o poema, onde mostraste uma outra forma de ver a vida.

Beijinhos da mana.

Avozita disse...

Deixaste-me sem palavras.

Uma outra forma de descreveres a vida.

Beijinhos da mana.

Natalia Nuno disse...

Verdade mana, temos que ir pensando que não vamos estar para sempre e que embora nos sintamos bem interiormente por agora, tudo se vai deteorando...


beijo, grata pela visita