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segunda-feira, 29 de julho de 2013

poema de amor



lanço a rede ao fundo,
para vislumbrar o poema
feito de palavra de nada
ou do que não foi dito ainda,
talvez da palavra calada,
duma porta fechada ou aberta,
alento de minha boca
uma dor que aperta,
memória dum tempo
ou da minha força, já pouca.

será o poema pássaro
que voa para o poente
de asas fatigadas
tocando as águas do mar
rumando à eternidade
docemente,
levando com ele meu olhar?

este poema é cego
e causa-me calafrio!
os seus resignados olhos,
são os meus,
às vezes são rio
que já corria
no ventre de minha mãe,
num sussurro morno
onde não há volta.
mas ainda assim me alegro,
porque este poema
é de amor também.

natalia nuno
rosafogo


2 comentários:

PÈTALA disse...

wahmir
Olá Natália.

Este poema encerra em si mesmo uma imensidão de sentimentos que se sente e encontra implícito nas palavras que o atravessam. E que ao relembrar o ventre da mãe torna-se num dos expoentes máximos do amor!

Beijo

João

Natalia Nuno disse...

é um poema que eu tambémn gosto muito, foi escrito num momento onde a memória me levou longe e me ausentei de mim mesma para me deixar nesse mundo do sonho.

Adoro a leitura dos teus comentários, geralmente me surge a vontade de iniciar novo poema.

Beijinho João com muita estima.