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terça-feira, 7 de maio de 2013

tenho sede de tempo...



cai a tarde
como fruta madura
e à distância cantam os pinhais
o sol já não arde,
tocam os sinos dando sinais
e eu aqui oculta pela bruma
lembrando tudo,
tanta coisa uma a uma.
lembro o caminho da nascente,
com os risos de então
lembrança sempre presente
que não rejeito...não!

quero ser criatura
de alegria,
trazer à minha noite o luar
e eu e tu ser um só rio
a desaguar no mar...
extingue-se  mais um dia
entre matizes amarelos
tenho sede de tempo
dum tempo primaveril
aquele que me vestia
a alma
e não este, que é prisão
e me corrói o rosto,
e esvazia o coração.

dá-me a mão,
vamos caminhar mais agéis
viver mais intensamente
onde o limite seja o céu
só tu e eu.
por algum tempo havemos de ignorar
o que de nós se perdeu
vivamos mais outro dia,
antes que a noite venha perturbar
ergamos nossa rebeldia

e quando a morte vier
num outro dia qualquer
pairando como um gavião,
sobre nós,
dá-me a tua mão
quando já nada haja para crer,
resta em mim a credulidade...
ainda assim vou sentir a doçura
da tua mão
na minha mão,
e levarei dela saudade.

natália nuno
rosafogo







2 comentários:

PÈTALA disse...

Ola Natália

Toda a sede tem reverso
Como tem a luz do sol
Tua vida num só verso
Em canto de rouxinol!

É bom ter sede do tempo! Sem isso ninguém estaria vivo! Sendo a morte coisa certa, de que vale termos temor dela? Devemos sim tratar bem do nosso corpo, fazer dele, terra de boas sementeiras para depois ter boas colheitas! É apostando neste fator sadio, que poderemos viver mais tempo, e com melhor qualidade de vida. Todas as idades têm suas belezas! Mas enquanto não existir o elixir da eterna juventude, devemos olhar cada dia que passa como que seja o último, isto é, vivê-lo o mais intensamente possível! Aproveitar tudo o que de bom a vida tem, e são tantas coisas! Nunca descorando o amor como é óbvio, pois sem ele (a meu ver) aí sim, a vida não faria sentido!
A poesia é uma boa forma de deixar eclodir tudo que o coração e alma sentem. E mesmo nesta tua muito peculiar forma de a” cantares”, nunca deixa de ter a sua beleza.
Beijo
João


Natalia Nuno disse...

Tens razão a morte é coisa certa, nunca sabendo o momento do seu aparecimento.
É a poesia o espaço absoluto onde me sinto confortável, onde esqueço o porvir e usufruo um pouco de bem estar, esquecendo até a vida real, tenho esse (poder mágico) rs...
Sonho, enquanto escrevo, a poesia é de facto o meu apeadeiro, de onde parto em busca do tal sonho.

João grata pelas palavras que me deixas.
Até breve,
beijinho, fica bem.