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sábado, 21 de julho de 2018

a sombra...




hoje anda como quem morre
sem encontrar direcção
é a sombra duma  lembrança
no retrato uma recordação
secou o sol o seu rosto
onde cabia por inteiro
secos ficaram os olhos
não há mar, mas um ribeiro
já não são os seios duros
nem as mãos colhem frutos
passa por ela a sombra rente
seus sonhos são agora prematuros
morre tão completamente
no rosto olhos sem brilho, enxutos

sufoca o grito na garganta
a vida a meio parou
a sombra já se agiganta
sua pele o outono manchou
traz o corpo na prisão
e a alma em liberdade
perdida no seu cansaço
só o sonho e a saudade
tomam conta da sua mão

sentimentos e emoções
ao longo de anos acumulou
indagações ao divino sem resposta ficou
a quem entrega o destino?
em crepúsculo a vida, num
inverno se tornou.

natália nuno
rosafogo


2 comentários:

Beijaflor disse...

Olá Natália

Os teus poemas, Natália, brotam palavras cristalinas nascidas das profundezas da tua existência cantando tudo que a vida contem. É assim a sensibilidade de quem tao bem sabe tratar a poesia. Poeta não é só quem canta, mas quem encanta. E tu encantas!

Beijos do sempre amigo João.



Natalia Nuno/Rosafogo disse...

Meu querido amigo

Desculpa se não estou sempre atenta, mas olha João ando fora de casa e nem sempre tenho internet, hoje estou num parque de campismo na Foz do Alge, aqui para os lados da Sertã vim conhecer algumas aldeias uma delas Dornes, onde o rio Zêzere é fenomenal em beleza, uns dias com a natureza e o tempo fresco, um encanto, então levantei um pouquinho mais cedo para dar por aqui uma voltinha e dei com as tuas palavras que eu recebo sempre com muita gratidão. Ora João sabes que não sinto que seja como dizes, às vezes leio-me e não acho nada de especial, fico muito lisonjeada e agradecida.

Desejo muito que estejas bem
beijinho amigo