terça-feira, 24 de agosto de 2010

NO FUNDO DO TEMPO















NO FUNDO DO TEMPO

Meus poemas são música que ninguém tocou
São débeis sóis de esperança de criança curiosa
São pedrinhas atiradas ao charco que a ninguém molhou
Porque me queixo eu? De que estou ansiosa?!
Tivesse eu outra forma de criação?!
Bailarina talvez, exprimindo-me por gestos
Mas a poesia é o meu mundo o meu chão
Meus poemas são gritos, são manifestos.
Sentimentos, lamentos e esperanças, neste chão verde
A mão que dou, a palavra que deixo o que recebo e me afaga
São água fresca onde mato a minha sede,
Uma força maior que ninguém silencia, nem apaga.
Estão prenhes de utopia por isso me chamam louca
Um dia virá, eles serão o grito, a força da minha voz já rouca.

Calo-me agora, quando o fim está p'ra chegar
Não resta nada, trago os dias cansados
E o medo espreita no fundo do meu olhar.
Cerro memórias que são já frutos frutificados.
Falei do passado acreditei no presente
O futuro calarei, fátuo fogo em que me apago
A vida não passou dum jogo, correu apressadamente
É bola de fogo, alegria efémera é dor que trago.
Meus poemas, são minha existência a escurecer
Numa solidão onde mais nada há a dizer.
Fico tolhida no fundo do tempo a esquecer
Quanto tempo a Vida me tira, sem eu o querer.



rosafogo
natalia nuno

sábado, 21 de agosto de 2010

ESPERA AMOR














ESPERA AMOR


Perco-me no abismo do teu olhar
Morrem flores neste entardecer
Perde-se Vida num constante acenar
Mas a esperança volta sempre a florescer.
O tempo é como rapaz novo, a correr
Torna minha solidão ainda maior
Já nem o corpo me quer obedecer
Resta o tempo de lembrarmos amor.

Perco coisas que aprendi a amar
O tempo é colete de forças que me põe à prova
Que me aperta sem cessar
Mas deixa ainda no meu peito uma emoção nova.

Perco-me no abismo do teu olhar
Olhas-me de medo de me ver cair
Hesitante de palavras mas com vontade de gritar
ESPERA AMOR... a noite mansa que há-de vir!?
E assim foi sempre entre o deitar e o dormir
A nossa festa com brilho e chama
Esquecidos do tempo do porvir
É nesta hora que a gente sempre se ama.



natalia nuno

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

MEU CANTO















MEU CANTO

Canto á videira
À giesta
Canto ao feto e ao trevo
Meu coração está em festa
A entristecê-lo nem me atrevo
Canto até ao agrião e à salsa
Ao gerúndio e à hera
Que dançam uma doce valsa
Como noutro tempo, outra era.

Canto aos rebentos da roseira
Expostos ao sol das manhãs
Canto aos lírios, às uvas e romãs
Canto aos ciganos sem eira nem beira.
Canto ao dourado da tarde
E ao fim do dia canto à saudade.

Canto aos frutos e flores
Canto aos céus e aos mares
Até me perco cantando aos amores
Enquanto Deus não me calares.

Canto aos lobos e aos morcegos
Aos vampiros e demais
Canto a toda a natureza,versos
ora profundos ora banais.

E por fim canto ao xaile de minha mãe
Ora!Porque me lembrei também.

natalia nuno
rosafogo

domingo, 15 de agosto de 2010

MAIS UMA VEZ



















MAIS UMA VEZ


Momentos felizes, não deviam acabar!
Seria bom o tempo poder parar.

Mais uma vez
Reúno minhas lembranças
As ultimas talvez?!
Mas meu presente é marcado de esperanças.

Lá no fundo, bem fundo
Esperanças ao final da tarde
Da memória faço meu mundo
Nele viajo com a saudade.
Deixo-me neste território estranho
Aqui minha alma se sente inspirada
Me percorre um frémito tamanho!?
Que da poesia me sinto enamorada.

E ela brota e não resiste!
E sempre que a tristeza me ronda
Ou a minha alma está triste!?
Não há nada que não me esconda
Para que a tristeza vá embora
E meu suspiro seja apenas na hora.

Assim prossigo o caminho
Hoje tudo é leveza
Como as penas dum passarinho
Em liberdade na natureza.

Não terá a esperança murchado
No coração do Poeta há harmonia
Que nem o tempo terá esmagado!?
Seu canto de saudade
É sentimento a cada dia.



rosafogo
natalia nuno

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

FITA DE VELUDO ENCARNADO















FITA DE VELUDO ENCARNADO

Á noite a terra parece vazia
Deserta, mas de luar coberta
E em mim uma estranha melancolia
Hoje me sinto inquieta, saudosa
Num tempo infantil de pureza
Recordo minha mãe jovem, mimosa
Ah... mas é apenas um sonho concerteza.

Um sonho que depressa se desfaz
Tudo o que perdi está em mim ancorado
Neste sonho sorrio e encontro paz
Embora o caminho nem sempre de rosas semeado.
Mas o passado é fonte de vida
Exige minha atenção,
Hoje nada mais, nada mais, só há uma saída
Deixar-me neste tempo, sem duração.

Deixar-me nesta minha verdade
Recordar o bibe branco bem lavado
Os caracóis pretos, com saudade
Atados com fita de veludo encarnado.

natalia nuno
rosafogo

domingo, 8 de agosto de 2010

SEMPRE À MESMA HORA



















SEMPRE À MESMA HORA

Da mesa onde escrevo
Sempre à mesma hora
Vejo o sol morrer e levo
O olhar envolvido nesse mistério, agora...

Surge a luz nocturna e fria
Bate o coração dentro de mim
Indiferente a qualquer outro sentir
Assim... apenas o ruído da vida, neste dia
É ver o Sol partir.
Saio dos meus pensamentos
E ao regressar estou renovada
Deixo para tras lamentos
Sou feliz com pouco mais que nada.

Travo às vezes duelo com a vida
Nem sempre saio vencida
Ou vencedora!?
Houve um tempo inteiro
Nada restaria se prodigiosa a mente
não fora.

Fim de tarde
E tanta ainda a luminosidade
Dou comigo de expressão parada
Num abandono quase perfeito
No meu rosto sinais de nada
Mas uma saudade presente no peito.

Senhora das faculdades minhas
Embora parecendo ausente?!
Minhas lembranças são campainhas
A embalar-me o peito docemente.



rosafogo
natalia nuno

terça-feira, 3 de agosto de 2010

PALAVRAS VIGIAS DO TEMPO



















Palavras vigias do tempo


Fervilham pensamentos dentro de mim
Hoje, é a palavra quem fala
E meu rosto, minha vontade e assim!?
Também meu coração não se cala.
Minhas palavras são pobres, impotentes
Não uso palavras caras nem chavões
Defendo a poesia com calor e generosidade
Com poemas melancólicos, benevolentes
A minha poética vem de longe tráz saudade
E gritos que chegam aos corações.

Entrego-me à palavra com sofreguidão
às vezes dentro de mim adormecida
E se o pânico se apodera do coração?!
Vou perdendo a memória e com ela a vida.

Então meu sonho se desfaz aos bocados
Nada voltará a ser como dantes?
Borbulham em mim imagens de passos dados
Desafiando minhas horas amargas e inquietantes.
Trago um sentimento em mim arreigado
Sou sensível à palavra e seu rigor
No silêncio meu desejo trago amotinado
Talvez da idade, a tudo eu dou mais valor.

Meus versos se ficam sofridos, p'lo caminho
Já não querem ser lidos nem ouvidos
Talvez de afectos até façam ninho
Quem sabe?!
Não possam vir a ser versos queridos?!



natalia nuno