sexta-feira, 16 de outubro de 2020

esperei por ti primaveras...

 

a despedirem-se do verão,  num perpétuo suceder, na primavera voltarão, até lá em silêncio ficarão, aguardando ver de novo o sol para renascerem impetuosas e belas, virão as aves saudá-las... voltaram, dirá o vento ao vê-las, germinarão com beleza e alento enquanto isso, eu dormirei com um sonho de amor, como poderei recordar-te? se a minha vida foi esperar-te? dura angústia que não sei suster, não sei se o amor alguma vez me confortou, o amor que nos uniu só contemplou, a saudade no meu viver.

 natalia nuno 

 rosafogo

para sempre me amarás...

 encosto-me aos dias, perdida

  de mim as horas passam devagar

 faço romagem ao passado 
 relembro recantos de onde vim
 e de tanto caminhar,
 aperta-se um nó no peito
 fica a alma um deserto magoado
 já tardadas, mas esperadas surgem as inquietações
 esqueço os sonhos e as ilusões
 fico em silêncio, já não sou ave livre 
 sou sim a que vive
 presa neste corpo para sempre
 os passos já se me quebram 
 cumpriram tantos caminhos! 
 e em todos descobri
 que não há rosas sem espinhos. 
 apaga-se a vida devagar
 mas sobrevive o meu amor por ti. 
 que te posso eu oferecer a troco dum olhar?
 ofereço-te o céu imenso, ou os raios do sol
 sobre o mar 
 resta-me a a satisfação audaz 
 que para sempre me amarás.

 natalia nuno 
 rosafogo

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

cansei da palavra...

 


abandono-me em ti

saio do meu casulo

és o meu porto de abrigo

a cama onde me deito

contigo de mão dada sigo

de amar-te é este no meu jeito

cansei da palavra

trago a memória escura

tenho fome de ternura!


só o teu olhar me vive

o maior sonho és, que alguma vez

eu tive...


natalia nuno

rosafogo

terça-feira, 13 de outubro de 2020

estremecem as flores...



estremecem as flores, ansiando por dias de sol primaveril que se negam a aparecer, tristes esquecem-se ao que vieram e desfolham com a impiedosa chuva, porém nos montes e vales dos nossos corações, permanece a imagem da sua beleza ou permanecem à porta dos nossos olhos...que anseiam céus claros, enquanto o coração recolhe a dor, olhando as flores despidas, nessa despedida silenciosa..

natalia nuno

rosafogo

o tempo me toma...

 


embalo sonhos junto ao peito, 

e por entre eles desdobra-se a vida, 


prepara-se o vôo

serei gaivota à espera da maré

na praia deserta, 

marcas de saudade...


natalia nuno

rosafogo

não me lembro...



não me lembro onde deixei as mãos, queria tanto baloiçar nelas os sonhos, lapidar ilusões, deixar sentimentos ao rubro, acreditar que o sol ainda é sol, que no meu peito ainda há fogueira, soltar gritos, disfarçar as rugas desta casa velha... a minha cabeça é um baú de memórias que as minhas mãos vão bordando no silêncio, no frio da insónia...mas hoje minhas mãos não têm poesia, ficaram paradas, magoadas nesse silêncio, a noite morreu e eu, não as reconheço, talvez queiram que enlouqueça em paz, com a saudade a viver dentro de mim, e a boca cheia de palavras saudosas, porém inaudíveis...


natália nuno

rosafogo

domingo, 11 de outubro de 2020

apenas nada...

quando damos conta o tempo passou
e o que restou? a solidão, 
uma atitude de espera
ou uma fuga às realidades,
como velhas fogueiras caem
em nós as saudades.
e no rosto as rugas são as primeiras
que sobem o muro dos sonhos
fugir é nossa única ideia
mas jamais saímos da teia
o olhar atravessa a estrada
há ideias perdidas
que com o tempo se vão
- e o que resta? nada!

resta talvez a dúvida, a casa vazia 
e no fundo da garganta
um nó que arrepia.

 natália nuno
 rosafogo

tanta coisa para dizer-te...

tanta coisa para te dizer
 que seríamos sem as lembranças? 
agora esta solidão sem par
 este meu jeito de te amar 
esta saudade que não sossega
 esta luz que me cega
 a realidade a tentar o sonho travar 

 tanta coisa para te dizer 
se te sentasses aqui por perto
 falar-te deste frio em mim inquieto
 do meu rosto que se apaga 
morro-me na lentidão
 o tempo tudo leva e então
 nada de bom há que traga

 tanta coisa para te dizer
 mas vou falar-te d'amor
 que resiste à força do vento
 aquele que é amor desmesurado
 que causa saudade e é tormento
 que trago no coração calado 

 canto-o numa estrofe desolada
 canto que abranda minha tristeza
 quem dera ter a certeza
 que ainda és meu e eu tua amada
 sou apenas um instante
 um rio que chora, que ri, que lamenta
 esse teu amor distante
 que é floco de neve e a saudade aumenta. 

 natalia nuno
 rosafogo