ORVALHOS POESIA
palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
terça-feira, 24 de março de 2026
foi tenaz o amor...
a noite e o vazio...
sonhando com vôo...
caem folhas ao chão
este instante se apaga, ficam meus sentidos entorpecidos minha noite, em inquietação se alaga
foram-se os júbilos primaveris meus sonhos são ramos partidos que o vento levou para onde quis
as folhas caídas tão frágeis quanto eu, no chão adormecidas, na noite de breu,
e eu, sonhando com o voo, minhas mãos estendidas são folhas que tempo secou...![]()
natalia nuno
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registos da memória...
sexta-feira, 20 de março de 2026
imagens vivas...
- quem experimenta um tal amor pelo lugar onde nasceu, sente-se duplicado em tudo, é um amor perfeito que nos inspira e é como uma dádiva benfazeja, as lembranças são colheradas de açúcar que adoçam o coração, ainda vejo a vela acesa na lareira e as feições da mãe na penumbra, embora com alguma dificuldade, mas ainda assim fico plena de júbilo e alimento a minha alma... a minha musa é a natureza, a minha força e pensamento e a memória não dorme...a inocência. o sorriso a gargalhada, a liberdade o alvoroço, imagens vivas que pulsam tal como meu coração.
-crescem dentro de mim árvores, numa longa avenida onde me perco e me encontro, onde me inquieto, onde me comovo, sorrio e sonho, esquecendo a dificuldade da descida...dou guarida às aves, deixo esvoaçar as borboletas, ouço os delírios dos ventos nas flores, ancoram em mim as estrelas, meus olhos bravos olham o vermelho dos cravos, existirei na essência de todas as coisas? crescem as begónias no jardim interior, as tempestades serenam e eu subo ao céu...apenas assim! num vôo de gaivota, leveza de mim.
natalia nuno
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então vive Mulher...
a chuva intensa alaga a vidraça e tamborila insistentemente no telhado, e ela, alinhavando pormenores que não cessam na mente... fixa o olhar na fotografia em frente, e surpreendida, deixa-se entristecida, às vezes revolta-se, privada de esperança então, o deslumbramento pela vida mistura-se com o medo de a perder...muitas e estranhas são as vicissitudes, escreve palavras afastadas de si no tempo, separada pela vida inteira vai querendo abarcar apenas o dia a dia com inegável doçura, traz consigo uma chama interior terna e abrasante, quente e às vezes lancinante, mas nada a aflige nestes momentos de lassidão...depois, bem... depois conserta as palavras e seca nelas as lágrimas, diz de si para si: o coração ainda a bater, mora nele a vida... então vive Mulher.
natalia nuno
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