sexta-feira, 31 de julho de 2026

amo a luz...



quando o sol dorme
adormece o coração
amadurece a escuridão
e, eu que amo a luz
acalento-me na esperança
duma nova madrugada

logo a mina alma respira
e o coração bate
no desejo de ser amada

cansado o desejo
vai começar amanhã de novo
à espera do teu beijo
entra a noite agressora e desolada
despoja-me do sono
de novo,
- até de madrugada.

poema revisto
natalia nuno
imagem pinterest

rente ao mar...



hoje o mar alterou-se
sabe-se lá porquê?!
ficou paranoico, avassalador
mas depois deixou-nos a fúria
de o amarmos em liberdade
com saudade...

mais tarde passou-lhe a cólera
e veio beijar-nos com paixão e delicadeza
e ali mesmo fiz um verso
com destreza...

foi o desvario
nele adormeci o sol
coloquei as cigarras a cantar nos canaviais
e acreditei que eram de verdade
meus ais...

o que eu, o sol e o mar
sonhávamos  estava ali
era amor, era amar
que sobrava de mim e de ti.

natalia nuno/rosafogo
imagem pinterest
poema recuperado


palavras de cansaço...




já não sei suster
esta nostalgia 
que me deixa
mais amarga, dia após dia

é difícil de romper
este meu rosto frio
e é a espessura do silêncio
que me causa calafrio

palavras de cansaço
como se nada me confortasse
fio cortante, sem um abraço
e o amor que nos uniu 
é como se cansasse

uma parede entre nós
resta aquela recordação nostálgica
que o tempo, vem tornando feroz

só a saudade se senta ao nosso lado
ainda nos traz um fardo de alegrias
encoraja a perseverar o amor que resta
- com cuidado!
e abraça-se a nós os nossos dias.

natalia nuno
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experiência repetida...




o vento voa
enlaça-me numa tranquila solidão
esqueço-me de tudo o que doa
um sonho inteiro por mim passa,
será apenas ilusão?

traz frescura matinal
chega a mim o cheiro dos pinheiros
de verão
e um desejo novo ao coração

ao de leve o vento
vem-me roçar
desenlaça lembranças vividas
desejadas e queridas
que quero lembrar,
não é que não doa

tudo se aprofunda abruptamente
sem dar-me descanso à mente

como trepadeira apavorada
onde procuro enlear-me
cheia de esperança, apressada
a extinguir-se um sonho maior
e eu a querer abraça-lo com amor.

natália nuno
imagem pinteerest


domingo, 26 de julho de 2026

dou vida ao poema...




ali sobre a mesa
há presenças invisíveis
em livros por ler
palavras que voam com o vento
da noite
querem que me afoite
a criar mais um poema

poema que pode ser d' amor
que traga a brancura da sua
magia
com a chama dum poema 
fascinante
que irradie neste instante
a luz que em nós vivia.

uma inquietude me traz
nele afundo o olhar
atónita a minh'alma
diz-me não saber se sou
capaz...

levanto o meu pulsar
e dou vida ao poema
seja d'amor ou dor
mágico será o tema.

natalia nuno.
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sexta-feira, 24 de julho de 2026

viva recordação...



ainda treme a brisa
chega-me o odor das murtas
e eu rapariga ardente
recordo o sussurro dos salgueiros
enquanto a gente
dava os beijos primeiros

por perto o rumor do rio
e as aves vinham a caminho
era a época do cio
e algumas já faziam ninho

meus lábios alegres
no desejo dos teus
ferve meu coração
um desassossego este amor
que Deus nos deu
é tão viva esta recordação

a juventude envelheceu
juventude, a jóia do delírio
labareda que tudo cega
nem o esquecimento apagará,
é sonho que de nós não despega
e que um Deus único embelezará

natalia nuno
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quarta-feira, 22 de julho de 2026

presenças invisíveis...



os poemas são meus filhos
às vezes vivem em momentos
de deserto
outras no coração
- ou ali por perto!

às vezes fustigam-me
criticam-me de não condenar
o mundo
outras deixam-me em silêncio
profundo

não me deixam embelezá-los
tiram-me até a lucidez
tento até deformá-los
mas são meus filhos
e eu vou amando um a um
à vez.

às vezes fazem-me perguntas
ignorantes
outros surgem apaixonados
desditosos e amantes
e às vezes pela dor são convocados.

natalia nuno
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