sábado, 22 de agosto de 2026

cresce o silêncio...



 - nada nos livra do punho dos dias, arrasta-nos com golpes de cansaço, e o sorriso que parecia nunca esmorecer, envelheceu, quanta luta inútil, triste  ignorância, agora longe dos sonhos, um peso constante é, sentir o pulsar do tempo com desespero... o sonho ou talvez a paixão, o medo e a loucura sejam a cega destruição... a tua voz, alguma vez me confortou, esta recordação feroz fere-me o coração, agora a vida é esperar, esperar por algo estranho que vamos aceitando com a mesma ciência que ensinou a viver, o silêncio cresce, na almofada cruzam-se as memórias de momentos partilhados, agora de paz... restam os lençóis desolados.

natalia nuno


alquimia...



há uma lágrima que nos afoga
e uma vertigem que nos derruba
e a própria voz nos interroga
o porquê, da vida em fuga

há horas que são inutilidade
sussurros que nos deixam
- em solidão!
não procuramos piedade,
mas procuramos respostas
nas linhas da nossa mão

no horizonte que escreve
a distância
o sorriso das estações vividas,
quando confiados aos dias
da infância,
lembramos a ternura
e a suavidade já quase esquecidas

resgato com palavras os sonhos de então
e na alquimia da minha mente
resgato a recordação
com uma ternura ardente.

natalia nuno
imagem pinterest







um mundo perdido...



o sol cresce pela manhã
mas uma névoa permanece
já brota vida ao redor
mas na memória alguma dor
de um mundo perdido
que esquece
a Paz!

esperamo-la com incerteza
num amanhecer dum dia novo
a guerra sempre corrompe a esperança
e torna furtiva a certeza
no olhar da criança

nos corações bate o frio
mesmo sendo Verão
perdida por lentas madrugadas
palavras cansadas
perdem o brio
respiram o delírio
do sofrimento
que de longe me alcança
fico como água morta
parada, que já não avança

o coração sonha
e apesar da agonia
esquece o cansaço e aguarda
a surpresa, do regresso, dum mundo
melhor, trazendo um futuro inebriado
entre os seres e um profundo amor 
tantas vezes procurado.

por falta de PAZ nunca alcançado!

natalia nuno
imagem foto minha

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

guerra e paz...





como irrompe o ódio e a miséria se não é o nosso desejo?- tanta violência à nossa volta, a esperança diz-nos que a alegria terá retorno...e  a palavra sonha, e foge como o vento, levando uma imensidade de momentos de frio e solidão, e a nostalgia agora, surge nos olhares de quem pouco ou nada possui, para traz ficam os apagados rostos que não voltam, os que choram as ausências, as ruas soalheiras onde houve vida, foram-se as recordações e os sorrisos dos últimos encontros...porquê? - a Paz, será que disse um adeus definitivo?- que passem as águas turvas, para que possamos brindar à vida.

natalia nuno

imagem minha


a natureza...



um encontro um instante, a captura veloz, a mão firme e cuidadosa, para trazer comigo a beleza que faz com que os sonhos regressem, de que lugar ou tempo?...tudo se cruza na memória e lá volta o instante em que olhei o firme firmamento e a recordação chega, fico cheia de optimismo, porque amo a vida, e com oo desejo de começar amanhã de novo...o tempo já ensombra os meus olhos, mas sou feita de matéria e sonhos e Deus me toca o coração e este revive, é como uma velha colina rodeada de mar, que resiste ao frio e ao calor e lá surgem mais uns dias em que o sol gira nas minhas mãos...

natalia nuno

foto minha

nostalgia mestra na ruína...



penetra em mim a nostalgia
não tem nome e nem sei
de onde vem
fica nos meus olhos cravada,
como uma miragem, como alguém
que me deixa calada

talvez queira que perca a esperança
tempo meu, este sem memória
mágoa e estranheza de esquecer
a criança
mestra na ruína da minha história.

sábia preparação
para o que vai para além da vida
e uma tenaz disposição
para aquietar o coração

nostalgia, o mágico fulgor
da poesia
no silêncio apenas tu e eu
e a luz de Julho emoldurada,
intervém uma voz do céu
voz que me deixa
- numa inquietude assustada.

natalia nuno
imagen pinterest

água é vida...




há um silêncio iluminado, e a esperança veste-se de menina, há serenidade e isso nos basta... aquietam-se os ruídos do Mundo, apenas um leve olhar e um aroma familiar, contemplo serena este lar que é a natureza, pareço ouvir à distância a voz da infância, onde me recordo cheia de optimismo, chega-me a recordação da harmonia que me convidava a uma fresca sombra.