quinta-feira, 20 de agosto de 2026

nostalgia mestra na ruína...



penetra em mim a nostalgia
não tem nome e nem sei
de onde vem
fica nos meus olhos cravada,
como uma miragem, como alguém
que me deixa calada

talvez queira que perca a esperança
tempo meu, este sem memória
mágoa e estranheza de esquecer
a criança
mestra na ruína da minha história.

sábia preparação
para o que vai para além da vida
e uma tenaz disposição
para aquietar o coração

nostalgia, o mágico fulgor
da poesia
no silêncio apenas tu e eu
e a luz de Julho emoldurada,
intervém uma voz do céu
voz que me deixa
- numa inquietude assustada.

natalia nuno
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água é vida...




há um silêncio iluminado, e a esperança veste-se de menina, há serenidade e isso nos basta... aquietam-se os ruídos do Mundo, apenas um leve olhar e um aroma familiar, contemplo serena este lar que é a natureza, pareço ouvir à distância a voz da infância, onde me recordo cheia de optimismo, chega-me a recordação da harmonia que me convidava a uma fresca sombra.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

lá cai mais um dia...



a luz que o sol distribui tão generosamente tudo gera, é ele o olhar da manhã que aquece o dia e esmaga a noite, adoça a vida, com sua mão quente percorre nosso corpo, e depois corre disfarçado por entre as sombras e vai deitar-se por detrás do horizonte, deixa a saudade, o cansaço, os sentidos adormecidos e a luz se fecha. As rosas respiram o orvalho da noite nos montes tão velhos como o dia e, a noite faz-se paz... até que ensolarada nasce a vida de novo no dia que clareia...nas telhas partidas dos telhados já entram raios, é o sol que abre as pestanas dizendo bom dia à terra, o ar do campo é lavado e saudável, acordam os girassóis, não há tempo a perder que o sol vai caindo calmo e tranquilo fechando os olhos...lá cai mais um dia... espero há horas calada, pelo amanhecer da noite, mais uma tarde que se despede, os sinos tocam as trindades, de repente lembro as horas e é então que sinto no vazio um novo um sonho, cheio de novas esperanças no sereno da noite, faço aceno ao dia que parte, a solidão é difícil e profunda, tão próxima estou do passado e tão ausente do presente, dou dois passos em frente e ando só por andar não por ter pressa de chegar. invento sonhos a vida inteira, trago o coração doído, o tempo sempre à minha beira e, eu pensando tê-lo perdido.

natalia nuno

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vento forte...



sopra um vento forte
entre o começo e o fim
entre a vida e a morte
já não lhe ofereço resistência
vai-me levando assim
já tropeço por fim!

passam por mim pássaros
chilreantes
a alegrar meu coração 
sonhador
por alguns instantes,
pesadamente o cansaço
- vem à tona!
o silêncio rompe o fio do vento
meu corpo se abandona
e um sonho me dá alento.

natalia nuno
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poema revisto.

sábado, 1 de agosto de 2026

música de Outono...

 no patamar da noite 

fecham-se flores no jardim
e eu recebo a saudade em mim
esse precioso sentimento
que tudo torna presente
traz música de outono 
ao pensamento...




e amortalha os ais que o coração sente

na nostalgia da tarde,
há rosas que chamam por
mim 
lembranças sem fim
ouço-lhes a voz
e o silêncio torna-se profundo
a noite espreita, imensa é a escuridão

minha vontade numa esquiva hesitação
sou pássaro cansado da viagem
sem asas onde se abrigar
sobrevive na esperança
de o amor o poder tocar

natalia nuno
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sexta-feira, 31 de julho de 2026

amo a luz...



quando o sol dorme
adormece o coração
amadurece a escuridão
e, eu que amo a luz
acalento-me na esperança
duma nova madrugada

logo a mina alma respira
e o coração bate
no desejo de ser amada

cansado o desejo
vai começar amanhã de novo
à espera do teu beijo
entra a noite agressora e desolada
despoja-me do sono
de novo,
- até de madrugada.

poema revisto
natalia nuno
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rente ao mar...



hoje o mar alterou-se
sabe-se lá porquê?!
ficou paranoico, avassalador
mas depois deixou-nos a fúria
de o amarmos em liberdade
com saudade...

mais tarde passou-lhe a cólera
e veio beijar-nos com paixão e delicadeza
e ali mesmo fiz um verso
com destreza...

foi o desvario
nele adormeci o sol
coloquei as cigarras a cantar nos canaviais
e acreditei que eram de verdade
meus ais...

o que eu, o sol e o mar
sonhávamos  estava ali
era amor, era amar
que sobrava de mim e de ti.

natalia nuno/rosafogo
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poema recuperado