terça-feira, 21 de abril de 2026

último pensamento...


o tempo dita-me a sua lei
põe sobre os meus ombros
o peso de sonhos angustiados
e os olhos de sombras
nublados

a nostalgia  observa-me
escuta-me a alma

há dias que incendeiam a memória
e o último pensamento
onde havia sol, hoje é vereda
sem luz

aurora bela e triste
da minha vida passada
Abril era presença clara
e tu a primavera esperada

o passado não pode apagar-se
com minha inocência
aprendi a amar-te,

as minhas rimas ainda cantam 
teu amor
sinto ainda na pele o sortilégio  
desse sabor.

natalia nuno
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quando o tempo nos oprime...



como será o todo
que ainda nos será servido
do resto que ainda
não havemos vivido?

será um lugar sombrio
ou lugar de olor
 a rosas?
ou o sentir de toda
a solidão?

estará tudo por um fio
ou trará ainda ambição
de criar versos, 
e o coração se render
- à paixão?

vão-se apertando as horas
perdem-se os sentidos 
somos andorinha,
que nem lembra que voou
para chegar ao final
da corrida,

ou como homem cujo sonho
não germinou
ainda assim, acaricia
a vida.

como será o todo
o que será que nos espera?
ao final da viagem sem regresso?

quem espera desespera.

natalia nuno
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sábado, 4 de abril de 2026

medo...

 

o peito é um mar sombrio, quando a noite surge enferma sem estrelas...as ondas em movimento brusco, vão em grande tumulto desbravando os meus sonhos de náufraga... a cada dia mais inalcançáveis até me deixarem obscuramente no esquecimento...é este o medo que sobe os muros por detrás de cada sombra...
natalia nuno
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miragem...



uma miragem branca passa pela mente, e esta vai macerando o esquecimento, mas nas sombras dos teus olhos, consigo ver com os meus, que o amor é mais forte e tenaz que a confusão e o caos que às vezes quer apoderar-se do pensamento e apagar o odor a madressilva, o mel quente e o prazer que ainda nos atravessa...no oásis da memória continuam os sonhos como milagre, numa claridade distinta onde permaneces e eu continuo a amar-te...não fugiram de mim recordações que são astros vermelhos de verão a morar no meu coração.

natalia nuno

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Gota d´água...



Será luz a nova flor que se abre?

 Permanece o silêncio... talvez só uma comovida flor que o orvalho resolveu golpear, num prazer desperto de levar para longe a semente, com a promessa de fazer tremer a gota de água que a fará germinar...se te amo, é porque deixas o teu perfume a cerejas silvestres! Dá-me a tua promessa, acende meu arco-íris de prazer antes que enferruje a minha esperança e as palavras me resvalem na garganta...como um tíbio raio de sol, onde a claridade já estremece.

natalianuno
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quarta-feira, 1 de abril de 2026

calam-se os rouxinóis...



cai-me na alma uma neblina
memórias de dias distantes
procuro em vão amainar
- o coração,
caminhante entre caminhantes
na esperança que outros dias virão.

as flores abriram
as saudades surgiram

quanto por um dia eu daria
pelo próximo passo
pelo próximo abraço
e, dói, porque tudo se foi

todos os dias o vento da
saudade
em memórias me deixa afogada
relembro com ansiedade

dos olhos cai uma lágrima errante
de súbita nostalgia
de quem se atreveu a viver
num sonho de mais um dia.

natalianuno
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sexta-feira, 27 de março de 2026

encosto a saudade ao peito...



este meu voltar atrás,
a olhar o florir dos cardos
a ouvir a música nos prados
quando não anoiteceu ainda
faz com que as lágrimas
me visitem,
e, me deixe a pensar
entre a saudade e a solidão

com espanto no meu coração.
e a delicadeza das palavras
que deixo no ar
vou acolhendo poemas como uma criança
que acaba de acordar...

natalia nuno
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