terça-feira, 25 de agosto de 2026

uma brisa leve...




- uma brisa leve chegou-me à janela, trouxe-me uma luz mágica tão íntima da infância, e o aroma  bem vincado ainda na minha memória, e ainda que tivesse tardado, continuaria igual, nada pode destruir as memórias... quando as aves me vinham saudar, as folhagens das árvores murmuravam-me tantas coisas que ainda não entendia, o rio turbulento no seu rumor deixava-me olhar no seu espelho,, matando a sede aos salgueiros esguios das margens, que alegremente baloiçavam os ramos dobrados ao seu encontro, os frutos acendiam a manhã com os aromas das suas polpas abertas ao vento, os girassóis aguardavam a vinda do sol, e as abelhas fabricavam o mel de flor, tudo era amor e ternura, as laranjeiras eram como noivas, todas branquinhas, agitava-se o meu coração de ânsia, como se nunca terminasse o calor daquele lugar onde vim ao mundo, era o centro da minha vida, livre e ditoso...

natalia nuno

imagem minha

já tudo é fumo...



tenso de estar à espera, o poema,
por uma palavra espera!
busca em vão vida,
e desespera

para ele tudo é um mistério
um labirinto sem saída
já nada é vida,
os erros do caminho
são sentimentos silenciosos
só no borbulhar de ideias
ele se encontra com a saudade,
que ainda de verdade.

salpico o poema de saudade
e amor
aproximo-lhe meus braços
dou-lhe a minha mão
já tudo é fumo
e a história se esquece,
o poema são todas os seres
que trago no coração.

natalia nuno
imagem pinterest

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

noite de névoa...




o silêncio cresce, as árvores avançam com um perfil sombrio, as folhas inquietas, cresce uma profunda tristeza, passo por pessoas que não poderão compreender-me nunca, só a luz da manhã vem oferecer-me paz, apago os presságios e os temores, não me assustam as rajadas de vento e chuva, esqueço a obscuridade, é tudo suave, e então surge  morte sem me dar tempo, me enterra no tempo, afinal é o dia que temo...com um ar ofegante e a voz apagada, me deixo perdida como náufrago em noite de névoa, apenas um frágil queixume, afinal já tantos outros morreram...

natalia nuno

foto minha

cordão umbilical...



tudo se cumpriu
mas, não como nos sonhos
daquela menina de silhueta 
magra
a miúda da minha memória
que quer que a traga
agarrada a mim 

parece não querer cortar
o cordão umbilical
que nos une
como gostava de a reconfortar

garota que parece ter adormecido
com o rosto entre as mãos
os nossos silêncios
são mistérios que tecem memórias
onde o sol começa a desaparecer,
diante dos nossos olhos estendeu--se
uma poderosa luz a chegar
ao horizonte
levamos o sonho com apertado
amor

na noite, no seu amplo corredor,
acolhe-nos o aroma da infância
protegida,
bocejamos sem temor
ao deixarmos a vida.

natália nuno
imagem pinterest



sábado, 22 de agosto de 2026

cresce o silêncio...



 - nada nos livra do punho dos dias, arrasta-nos com golpes de cansaço, e o sorriso que parecia nunca esmorecer, envelheceu, quanta luta inútil, triste  ignorância, agora longe dos sonhos, um peso constante é, sentir o pulsar do tempo com desespero... o sonho ou talvez a paixão, o medo e a loucura sejam a cega destruição... a tua voz, alguma vez me confortou, esta recordação feroz fere-me o coração, agora a vida é esperar, esperar por algo estranho que vamos aceitando com a mesma ciência que ensinou a viver, o silêncio cresce, na almofada cruzam-se as memórias de momentos partilhados, agora de paz... restam os lençóis desolados.

natalia nuno


alquimia...



há uma lágrima que nos afoga
e uma vertigem que nos derruba
e a própria voz nos interroga
o porquê, da vida em fuga

há horas que são inutilidade
sussurros que nos deixam
- em solidão!
não procuramos piedade,
mas procuramos respostas
nas linhas da nossa mão

no horizonte que escreve
a distância
o sorriso das estações vividas,
quando confiados aos dias
da infância,
lembramos a ternura
e a suavidade já quase esquecidas

resgato com palavras os sonhos de então
e na alquimia da minha mente
resgato a recordação
com uma ternura ardente.

natalia nuno
imagem pinterest







um mundo perdido...



o sol cresce pela manhã
mas uma névoa permanece
já brota vida ao redor
mas na memória alguma dor
de um mundo perdido
que esquece
a Paz!

esperamo-la com incerteza
num amanhecer dum dia novo
a guerra sempre corrompe a esperança
e torna furtiva a certeza
no olhar da criança

nos corações bate o frio
mesmo sendo Verão
perdida por lentas madrugadas
palavras cansadas
perdem o brio
respiram o delírio
do sofrimento
que de longe me alcança
fico como água morta
parada, que já não avança

o coração sonha
e apesar da agonia
esquece o cansaço e aguarda
a surpresa, do regresso, dum mundo
melhor, trazendo um futuro inebriado
entre os seres e um profundo amor 
tantas vezes procurado.

por falta de PAZ nunca alcançado!

natalia nuno
imagem foto minha