segunda-feira, 22 de junho de 2026

sentença...



golpeia a dor como se eu  
uma janela, onde ela
pode entrar sempre que quer
insiste e continua
e agarra o corpo como
se este lhe fosse pertença

ainda que por vezes seja sentença
atravesso o deserto,
e não deixo que me vença
.
insiste e esmaga
sigo sem rumo nem saída
até que a fé me traga
alento à vida
e me livre das suas garras

com voz de amargura
perco-me nas sombras dos meus
olhos
a sentir a tirania
é quando ela avança
com o maior desdém

sem me dar esperança!

natalia nuno
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ergue-te até ao fim...



-onde queres ir?
não fujas de ti
agarra-te às recordações
não afogues os teus dias
no vazio das desilusões

corre o risco, 
ergue-te até ao fim
sente a sedução do vento
livre
e vive!

não desças à fronteira 
do nada
de repente ensimesmada
onde o sonho anda distante
de si mesmo

tece a esperança, deixa as dúvidas
e a agonia
não te rendas
amanhã talvez seja o dia
te mostre que a felicidade
pode estar de regresso
e tu entendas
que uma nova luz
ainda te pertence

natália nuno
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quinta-feira, 18 de junho de 2026

a vida sempre nos cobra...



perante o imprevisível

uma dor se dobra
é a vida que nos cobra

sempre clamo pelo distante,
p'los sonhos que não sonhei
nada me dói mais neste instante
do que a saudade,
do que sobrevive
na memória e nela guardei

sempre uma inquietante ameaça
e o tempo quase prescrito
porém ainda uma luz que passa
e o amor à vida, se abre aflito

sinto as palavras quebradas
comtemplo as janelas nubladas
velhos sentires que o desconsolo
invoca
a névoa difunde-se sem cuidados
os olhos estão velhos,
os cheiros perdem-se na minha boca
ficam os sons  oxidados.

a vida nos cobra!

natalia nuno
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sábado, 6 de junho de 2026

nascer e morrer...




o pó do anos rola irado
pela estrada
deixando-nos como pedra
golpeada

a dor se esconde no coração
pelo dano deixado
nesta hora estragada
só a solidão

um amargo despertar
quando já tudo é ruína
aprofunda o dano,
calar os sonhos
é o destino

cair, subir,
à porta das lágrimas vale
a pena bater?
a morte sopra nos olhos
como fera esfomeada
que nos quer abater.

nascer e morrer
sempre na cegueira
de renascer das cinzas,
até cansar de arder
- nesta fogueira!
resta a espera agonizante
do último instante...

natalia nuno
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segunda-feira, 1 de junho de 2026

sonho dum viajante...

 


erguem-se as minhas palavras

lutam a todos os momentos
nesta vertigem que aqui soa,
não há nenhuma, que não doa

os pensamentos num mutismo
denso, louco,
enlouquecem, 
envelhecem,
e eu cismo,
porquê sofrer por tão pouco

quando adormeço
atravesso fronteiras
e as palavras são as primeiras
a descobrir a esperança
a levar-me nas asas do sonho
aquando era criança

saio da minha triste frieza
fico viajante que aguarda
na incerteza
pelo sol dum instante,
pela felicidade que tarda.

natalia nuno
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os arautos...

 


os sinos tem sempre uma mudez

sombria

como se aguardassem o dia
d'alguém que está de partida,
hoje, ou amanhã talvez

em engrenagens ondulam
levam o som à distância
recordando a chegada da morte,
cresce a ânsia...
em quem recebe tal sorte.

tudo acaba, até o sino esquece
o seu tanger
em curtos intervalos, 
indolente, sem saber,
com seu vulto confuso
quando voltará a ter uso

rapidamente é arauto da aurora
que traz na hora
o esplendor da luz entreabrindo,
é baptizado ou casamento,
e o som é bem vindo
virou o vento...
assim se chora de alegria, 
ou de tristeza

a vida nunca é em vão
tudo é benção
ou um sopro, um instante
- para os que vão.
 

natalia nuno
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a escada sombria...

 


a vida às vezes é um círculo de luz


outras é nuvem nostálgica
sombria, que me conduz
para o cume do acaso,
levando
minhas horas piores

como ave que foge
para o desconhecido
quando a tarde quebra,

fica meu sonho perdido!

o dia vencido
e a noite se abre fria,
pestaneja a escuridão
e aquele último pássaro
leva de mim o que resta de ilusão!

asas mais escuras, agita-se a mente
nimbo de saudade,
lembro breves instantes de vida
desaparecendo das minhas horas
maiores.
e a visão perdida.

natalia nuno
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