quinta-feira, 12 de março de 2026

quando a alegria se aposenta...



- recordo o  tempo que foi
e o que me resta
nas rugas do rosto, 
que a nostalgia lhe empresta

há um caminho que me escapa
uma sombra a rodear-me
uma esperada sentença
que passa os dias a esperar-me

uma melancolia cinzenta
quando a alegria se aposenta,
um muro embaciado que cresce
na desmemória enegrecida
p'la humidade,
- num muro escuro,

mas ser-se humilde é aceitar
a vida.

a felicidade é uma árvore 
de raízes fortes, tenaz
e a saudade recolhe-se num coração
- em paz!

desfraldo minhas palavras em cristais
de orvalho
e, é delas que me valho.
gosto da nudez da brisa e do azul
desta estação,
e da luz do sol que é perfeição!
atinge-me com sua ardente energia
e assim soletro a chegada 
de mais um d.i.a.

natalia nuno
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sábado, 7 de março de 2026

pura magia...



o sorriso voltou-lhe os lábios e depressa se desvaneceu, dissimilou os pensamentos, porém, vai assimilando as voltas que a vida deu... embrenhada na natureza, senta-se numa pedra junto ao rio com a pureza própria duma criança, e vai pacificando as emoções até aquietar o coração... da solidão nasce o silêncio, e como por magia volta a sonhar e a manter viva a esperança, tem pensamentos líricos que viajam na corrente, são agora os olhos que sorriem e volta a sentir-se gente, cada paisagem, cada rosto, é alento do seu dia, e no rasto do silêncio vai crescendo um lago onde um cisne branco se espaneja na memória, deixando promessas de criar do nada poemas de paixão, procura nos caminhos do vento ou nas paredes prateadas da lua a inspiração, sonha em cada linha e caminha indiferente à solidão ... 


natalia nuno

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nas asas do sonho...


no sonho ali morava
via-me diante dum jardim
escrevia, escutava e salvava
tudo que via, com saudade
aos meus olhos o alecrim
como se fosse milagre
que me fazia crer que o Mundo
não era tão mau assim

ali morava eu sem idade
diante dum jardim abstracto
e escrevia, escrevia a saudade
da juventude que olhava num retrato
decifrava na bruma do sonho
o seu significado, tudo tão disperso
e eu como se fosse "meio-dia"
louca, 
escrevia mais um verso!

mas a "noite", já me apanhara,
hoje sou simplicidade sem nome
a noite meu corpo alcançara
com fúria de quem tem fome!
mas o poema salva quem o escuta
serve de alívio ou serve para nada,
e para quem o escreve é uma luta
de nem saber se é sonho 
ou estará acordada...

natalia nuno
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quinta-feira, 5 de março de 2026

apelo á memória...


estendo pontes à vida
vou ressuscitando a felicidade
- o amor, e a saudade
apelando à memória a lembrança
do fascínio da infância querida
até ao esgotamento

há dias em que tudo é esquecimento
dias impiedosos do destino
falo então com as estrelas,
quão me sinto próxima de

las
deixei-lhes meu pensamento,
fico entre o transe de ser
e não ser
e as memórias voltam com o vento

balanceiam os loureiros
à beira rio da minha memória
e a nostalgia irradia 
- a alma das coisas sussurra-me
palavras que já não alcanço
já quase não recordo o instante
avanço,
- apesar do entardecer.

natalia nuno
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segunda-feira, 2 de março de 2026

coisas de Poeta...



quando é evidente a solidão
nem levo a sério se dizes que me amas
o eco da tua voz fica na noite
que desce sobre mim...

faz fronteira com o inverno
- que me envolve
mas traz-me uma fugaz esperança
- ao coração

que obstinado, ainda te quer ouvir.

natalia nuno
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sempre a solidão...



a solidão, é loucura da mente
fica-se de peito aberto ao que vier
e os desejos que a alma sente, 
o tempo acomoda,
e o corpo 
que é flor bravia,
ama sempre que puder

o amor ilumina o mundo
e serena o coração
às vezes dói bem fundo
quando desespera de paixão,

logo se abrem cicatrizes e
esfria o coração, a alma perdida
presos à recordação
- de dias felizes,
continua a vida... suspensa na ilusão!

natalia nuno
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dia solarengo em mim...

brindo à vida nesta manhã,

de certo modo aprazível,

cruzam-se pássaros na memória,

 ouço o vento por entre as árvores, 

nem tudo está perdido, percorri, 

caminhei, voltei

- a recordar a vida e a distância,

com a ternura deste inverno,

que brota vida à minha volta...

 

natália nuno
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