quinta-feira, 15 de outubro de 2026

aliança entre nós...



procurava-te e eras a luz 
dos meus olhos cegos,
existíamos, éramos sede
e fragrância
o futuro era ainda criança

como rios que se unem no mar
vivemos para sempre
a proteger o nosso amar

é uma aliança o que nos une
do teu corpo me chega fogo
e ternura
só o tempo nos pune
cerca-me a memória
duma resignação dura

invento sonhos
com linguagem de flores,
risonhos
sulcados de felicidade
a rondar a saudade

natalia nuno
imagem pinterest

dois dedos de conversa...



- caíram muros desamparados, ficaram as sombras e as marcas dos que por ali passaram e nos corações dos que ficaram resta a saudade infinita...reverdece a natureza, o rio continua a cantar, o sino não envelheceu seu som é o mesmo de sempre, o moinho parou de moer o pão e ali, sente-se a solidão, era grande o serviço prestado ao povo que ali levava o milho e o trigo, e os arvoredos à sua volta gostavam de o ouvir na sua ventura de trabalhar o dia inteiro...também a ída ao poço, já não é o que era, jorrava água para o interior das enfusas ou quartas, e passavam-se bons bocados de conversa, momentos aprazíveis entre as mulheres da aldeia quer fosse ao frio rigoroso de Janeiro, ou ao calor escaldante Agosto, os homens mais jovens na praça olhavam-nas de soslaio, já que os mais velhos se entretinham com um copo de vinho na sua frente, na taberna do Aspirante e noutras da aldeia, e as moças não rejeitavam a conversa se por acaso algum viesse à fala... a noite arrefecia, chegava o sereno com sua  frescura e lá se ia ao estendal apanhar a roupa, pelo caminho mais dois dedos de conversa sobre as noticias desse dia, mais um segredo que corria de boca em boca, depois vinha a ceia que o dia tinha sido farto de trabalho, mas à mesa a fartura era pouca e a fome apertava...às vezes havia brigas entre os casais, onde ninguém metia a colher, no dia seguinte a mulher perdoava e a vida seguia o seu rumo normal... não há nada que pague o encantamento que é sentir o aroma da infância e o amor silencioso que o envolve...

natalia nuno

imagem pinterest

rosa dos ventos...



o meu olhar perde-se 
na vastidão 
esgota-se na distancia
e o dia a dia nesta espera
- ao passado acenando a mão

poucas são agora
as palavras por dizer
o sol foi embora
e com ele, eu a esmorecer

o meu olhar
tem a extensão do mar
tudo é  amor e beleza
e uma nova certeza
que a morte não virá perturbar

os ventos me trazem
distintas verdades
as minhas ávidas mãos
escrevem saudades

movida pelo sonho
o crepúsculo é como um festim
e num voo intenso
a nostalgia vem até mim

rosa dos ventos
mares tão coralinos
árvore de luz nos meus pensamentos
trazendo à memória
nós inda meninos.

natalia nuno
imagem pinterest





quarta-feira, 2 de setembro de 2026

uma miragem...



- uma mensagem branca passa pela mente, e esta vai macerando o esquecimento, mas nas sombras dos teus olhos, consigo ver com s meus, que o amor é mais forte e tenaz que a confusão  o caos que às vezes quer apoderar-se do esquecimento e apagar o odor a madressilva, o mel quente e o prazer que ainda nos atravessa... no oásis da memória continuam os sonhos como milagre, numa claridade distinta onde permaneces e eu continuo a amar-te... não fugiram de mim recordações que sõ astros vermelhos de verão a morar no meu coração...

natalia nuno

imagem minha

terça-feira, 1 de setembro de 2026

fragmentos...de vida



-  leio noite fora meus papéis que conseguiram ter existência ao longo de anos, neles, todos os sonhos, em palavras que ainda parecem esperar pela realização dos mesmos, vigilantes, por detrás de alguma sombra que os encerra entre quatro paredes... tudo se reduziu a palavras escritas e deixadas ao abandono, enterradas no tempo, parecem não poder perdoar-me...leio-as angustiada, já não lhes ouço as vozes, nem os olhares, nem sensações hoje bateram no coração, neste reencontro...o silêncio e um negro vazio,  companheiro das noites que afundam num subtil desassossego, neste  mar sombrio, em que as palavras, rompem a noite enferma...

natalia nuno

imagem minha

ilusões...



- tanto caminho por descobrir e tão pouco tempo para me encontrar comigo mesma, história d'amor sem final feliz, tem como horizonte a solidão, onde os sonhos se habituam ao vazio, a minha sombra nunca me abandona e única obsessão é que não pretendo fugir dela...a vida foge, mas de vez em quando começa como se nada fosse, apenas um instante, e o sonho traz-me a felicidade aquela que nunca consegui alcançar...com um sorriso hipócrita, o inverno tenta convencer-me que ainda não passaram os dias todos da minha vida, que somos velhos companheiros e por isso não estou solitariamente só, que quando sonho tenho as minhas recordações, e toda a paisagem da minha terra, que me protege da dor do esquecimento...são cegas as ilusões, mas são velas acesas que reflectem luz em certas ocasiões...

natália nuno

foto minha

coisas minhas...



- as memórias são muito importantes em dias de solidão, são elas que nos dão aconchego, algum consolo ao lembrar os impulsos do coração quando jovem, os momentos de êxtase, todo o bem que vivemos, o presente é importante sim, não deixarmos perder a existência dos sentidos, sermos persistentes viver o melhor possível, não nos deixarmos cair no marasmo do vazio... para tentarmos decifrar o que há-de vir? o futuro é sempre duvidoso, misterioso, e pode ser um vasto tempo de gelo e silêncio...remeto-me na saudade enquanto a memória não estiver esquecida, apercebo-me da queda, mas o sonho ainda me vigia!

coisas minhas, a fazerem parte deste meu tempo de esperar, como poderia libertar-me e voar? tento harmonizar a vida com as palavras e esqueço a cinzenta rotina...ergo um fogo contra o tempo e minha noite fica constelada, e vivo na saudade daquele rio d'amor, que jamais se apaga...

natalia nuno

foto minha tirada na Escócia.