segunda-feira, 2 de agosto de 2021

versos soltos...



a pouco e pouco envelheço
vou mudando de aparência
um dia mais que amanheço
saudade da minha ausência

trago fundas as olheiras
não pedi para aqui chegar
as rugas foram as primeiras
irónicas rondando meu olhar

voluntária não me ofereço
para morrer, tempo tenho
a pouco e pouco envelheço
grande saudade donde venho

virá a época da colheita
com sinceridade a temo
logo a morte estará à espreita
não a nego nem blasfemo

a noite apagará as estrelas
chega a nevoenta madrugada
sonhando inda irei vê-las
no fim desta caminhada

no poema vivo e candente
ficará a força que tenho
viverá a recordar eternamente
a saudade de onde venho...

numa pedra gravarei meu nome
talvez alguém me queira saudar
outro alguém por Poeta me tome
p'los versos q' meu sol m'fez semear

natalia nuno
rosafogo
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versos que são oásis...

 

andam os grilos por sobre as flores
 quando a luz do dia já se escoa
 volto à menina e seus amores
 e o seu riso ao ouvido inda me soa.

 como levíssima brisa do mar
 na minha memória se eterniza
 trago esta dor no peito a latejar
 mas de lembrar a memória precisa.

 nas asas frescas da madrugada
 andam pássaros tristes sem voo
 desesperam meus sonhos p'la calada
 e a seiva no meu peito secou

 interrogo-me sobre o seu destino
 destino da menina dos olhos meus
 que era de oiro... de oiro fino!
 o destino a coloca na mão de Deus.

 natalia nuno
 rosafogo
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domingo, 1 de agosto de 2021

amar é mansidão...




gosto de em teus olhos me sentir
calar as minhas palavras e apenas olhar
aquele rio d'amor recordar
queimar-me no teu corpo, e o fogo repetir.
vivemos agora a vastidão do outono morno,
correndo ainda como criança alegre
sabemos que não haverá retorno
mas a chama sempre jovem connosco segue.
tudo nos deixou recordação
até alguma lágrima no rosto
amar é mansidão
que às vezes ateia e é fogo posto.

as sombras vão ficando em nós
e a inquietude no coração se fixa
trazida pelo medo de ficarmos sós,
basta-me olhar-te para ter alegria
mas, nada permanece o que era
e esta ventura, vai desaparecer um dia,
o amargo da vida nos espera.

puder olhar-te me prende à vida
és ainda a sede dos meus sonhos
olho-te de novo com doçura
amando-te na minha memória
já um tanto adormecida.

natalia nuno
rosafogo
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sábado, 31 de julho de 2021

Gratidão...

Esta é a estatística do mês de Julho deste meu Blog «Orvalhos Poesia», estou muito feliz por ter tantos leitores, direi mesmo orgulhosa, e grata a todos os amigos que o visitaram, se é o seu caso receba o meu abraço e a minha gratidão...............Bem haja obrigado!



sexta-feira, 30 de julho de 2021

nossos instantes loucos...




há um regato que sempre me corre
nos olhos,  o resto corre devagar
e um desejo na boca que não morre
a lembrar-me da vontade de te beijar
rolam por entre meus dedos finos
palavras a ligar tudo isto e eu não desisto,
uma voz me segreda
que não há nada mais doce que amar
no amor mergulhar de forma leda.
não sei que tempo ainda me cabe
só sei que existe em mim saudade
a memória cheia de imagens e, medo
que tudo acabe,
vou sentindo a falta do que ainda nem perdi
e a sensação é, a de que pouco vivi!

trago a alma já cansada, às vezes evito escrever
com medo de me doer
deixo-me por instantes calada
que nada me perturbe, nessa quietude
bem basta a minha ânsia inquieta
que tanto me afecta.
de repente regresso à escrita
pois a viagem não pode parar
e o coração volta a pulsar
é poesia que nele grita.

para além do que sinto e vejo
volta a mim o desejo, como um soprar
de vento a abrir-me o pensamento,
caminho estreito por onde espreito
o amor que me deste
e na luz que cai aos poucos
relembro nossos instantes loucos.

natalia nuno
rosafogo
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quarta-feira, 28 de julho de 2021

levo a memória a fantasiar...



acorre tanta vez à minha mente
agora que a vida se esvai
como tudo poderia ter sido diferente
que a nostalgia do semblante não sai.
às vezes levo a memória a fantasiar,
como era enamorada na juventude!
com tal força que ainda oiço o coração falar
e que alegria de viver nesta viagem...
como tudo nos ilude!
somos um rio claro e belo, que corre,
sem parar, onde olhamos nossa imagem
se bem que em meu entendimento,
tudo que é belo depressa morre...
para aliviar a angústia que o coração sente,
e desalento mais, não lhe acrescente,
chamo a mim a saudade do passado ao tempo
presente.

olho o pôr do sol que já finda
e me olho estrela ainda,
e por dentro meu coração arde
na contemplação do sol-pôr desta tarde.

natalia nuno

terça-feira, 27 de julho de 2021

sonhos de verdade...

 




rastejam os sóis sobre os girassóis
enquanto cresce o milho ali à beira
fecham os lírios antes da noite chegar
ardente em mim o amor, pronta para amar
amor sabe a plenitude, luz apagada à cabeceira
o mel acumulou-se nos meus sonhos
e uma memória rubra se aclara no pensamento
saudade...
dias e noites ébrias, únicos momentos, 
d'amor e felicidade.
subo por entre as horas na procura
desta ternura, 
do amor que ficou preso ao fio da tarde
e os sonhos são de verdade,

há sempre um estremecimento ao lembrar
os abraços que caíram longe da vida
talhando uma dor no meu olhar
quando o sonho me pega desprevenida
lembrar,  lembrar o verde dos milheirais
e a juventude que não volta mais
lembrar como só agora se abrisse o verão
e  não deixar cair a chuva no coração
onde mora o vento quente
e a raiva duma lágrima tensa,
lembrando o sol do dia a dia
e nunca o «o sol» nos olhos me doía,
e eu amava docemente...

natalia nuno
rosafogo
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