minhas mãos hoje estão enroladas
como flores que deixaram de florir
não aquecem nem arrefecem
nem obedecem à minha voz
que se faz ouvir
já estranham o que escrevem
nem eu sei que dizer
fico de coração a bater
e elas paradas sem saber
se devem ou não devem
neste emaranhado de pensamentos
fala-me a criança em mim
e por esta razão escrevo com doçura
e falo da saudade, dos pedaços de ventura
ainda que ninguém queira ouvir
falo, até à loucura,
até alheia voltar a sorrir
mas hoje falo das mãos
que rasgam meu coração
empurro-as para a intemporalidade
para que viva a poesia da saudade
sem nome e sem destino.
natalia nuno
rosafogo
imagem pinterest

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