quarta-feira, 18 de março de 2026

sede de abraços...



 olho de novo o céu de nuvens cinzentas, seus pensamentos ledos e tristes vagueiam perdidos, a ternura que me percorre é como a frescura da manhã, caminho solitária e seus passos são lentos como o gotejar da mais íntima fonte, nos olhos molhados trago a saudade, mas no coração, sempre a mesma sede de abraços...meu sorriso de murta e jasmim vai-se abrindo almejando seu desejo de horizontes, já fui esbelta e harmoniosa e hoje me surpreendo, o tempo a deixou de fulguração despida, cansada, mas grata à vida por  deixar-me envelhecer aguardo a noite que me traz sempre um sigiloso fogo d'alguma felicidade... ouço de novo o beber das palavras pela folha de papel, e uma luz fugidia desliza sobre o tecto dos meus pensamentos, aproxima-se e evade-se é a recordação a querer fugir-me, o peito aperta-se e eu permaneço imóvel no silêncio de destroçados muros, permaneço na espera que se abram clareiras e possa ser de novo flor imprevisível nascida das águas, ser sede, ser fragrância e de novo fogo e ternura para que possa inventar sonhos e ter tempo ainda de felicidade...quererei deixar pegadas na areia e se o vento as arrasar, sentir-me-ei cada vez mais indefesa, apagar-se-à sobre mim mesma, será o final sulcado pela morte...

natalia nuno

imagem pinterest

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