sábado, 14 de setembro de 2019

evoco hoje lembranças




evoco hoje lembranças
lavava-me na água fresca do rio
num tempo cheio de futuro
nunca com o coração vazio
eu sonhava e aguardava
nesse mundo encantado
que era meu refúgio
a ludibriar as horas ía sonhando
pregada ao meu chão embalada na ilusão
nas águas do remanso
e o rio lavava a minha nostalgia
e pensava no que a vida me escondia
os loureiros dançavam ao som do assobiar do vento
trazia a luz do sol no olhar
era um pouco bravia e resposta sempre havia
ao mesmo tempo doce como mel que escorria
o rio me alvoroçava
mas também me acalmava
era uma ave colorida, ora pousada
ora desaparecida
sonhos sem conta, cabeça ao sol
escaldante, e a forma graciosa como me movia
ao passar, céu e terra estremecia
lembrar, é acariciar a alma
e um prazer que me sacia
tudo o resto é estonteio ao meu redor
só se apaga a memória, senão houve amor

natália nuno
rosafogo
imagem pintarest

o sonho...



quando o sol dorme,
adormece o coração,
amadurece a escuridão
e, eu que amo a luz,
acalento-me na esperança duma nova
madrugada
logo a minha alma respira
e o coração bate
no desejo de ser amada...
natalia nuno
(rabiscos)1996

pequena prosa poética...



a mão tão apaixonada tão doce sempre presente apertou-lhe a sua com força, arrebatou-lhe o coração, em desvario ouviu a medo palavras em segredo, palavras que não conhecia mas que ainda hoje giram na lembrança, seduzindo-a com essa ternura levou-a ao altar...tudo lhe parecia novo, até o brilho dos astros, cresceu rápidamente mas no horizonte dos seus sonhos continuava a menina deixada num farol de luz, para rever sempre que fosse sua vontade...por mais palavras que a mão lhe escreva, brotará sempre a nostalgia, sentir-se-á sempre envolta por uma bruma, e nos trinados dos melros às portas da noite um esquivo poema lhe dirá que não tema mais um dia...
natalia nuno
(rabisvos) 1996

romance...





este fogo que se acende
e que tanto me prende
traz ainda o sabor do beijo
da primeira vez
e o desejo aperta
sem quês nem porquês
na altura certa!
e logo a ternura
está ao nosso alcance
e assim continua
- o nosso romance.

natalia nuno
(rascunhos) 1995