sábado, 13 de dezembro de 2025

memórias dos dias...



há sempre uma sombra nostálgica no pensamento, que não me permite esquecer, uma lembrança veemente que surge na mente em tempo de melancolia, e descarrega um fardo de ventos e de chuvas, a pedir que lembre mais uma dia, a criança em mim... trazem o aroma da infância e a saudade de quem já me é estranho, a voz já não é a mesma, os gestos foram esquecidos e os sorrisos ficaram là  à distância... figura melancolicamente confundida, mas que ainda me olha com ternura, as imagens cruzam-se no pensamento como aves a recolher ao ramo e, no rosto a ternura, a luz e o sonho detêm-se ainda no olhar, o único que me é familiar... 

- agora no tempo velhíssimo, está tudo perdido entre si, já não há saída deste labirinto, o que existe  do meu mundo é um borbulhar de imagens, um sonho que ficou inacabado, um coração que se agita de ânsia em cada palpitação, e a mente caída na armadilha do tempo... sem remédio, assediada pelo tédio que veste de melancolia o coração.

nnuno

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

vai a lua enfraquecida...

às vezes o poema vem chamar-me baixinho, volta e meia dá-me a mão e ali ficamos a olhar o firmamento e a ouvir as folhas a cair, esvoaçando entre minhas angústias e o vento, depois o definitivo anoitecer, e o poema continua o chamamento, louco, sem fim, sufocando em memórias de mim, resta um pouco de felicidade por tecer, coisas pequenas, lembranças, saudades...agora que estamos em sintonia, e a lua já vai enfraquecida, debruço-me sobre a folha branca com palavra colorida, sorridente, que a vida merece outro poema, vou escrever docemente, dou um golpe na melancolia que me persegue amargamente...e deixo a escorrer os espinhos que me fazem sofrer... 

nnuno
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domingo, 7 de dezembro de 2025

minha fé no singelo...


às vezes as pequenas coisas são a nossa salvação, quando a memória dos dias é já quase nada, e a vida nos arrebata o pouco que temos... o tempo é uma sombra nostálgica e as recordações estão quase soterradas... então, persistimos na beleza dum simples poema, olhamos os narcisos de amarelo dourado, lembramos dum primeiro amor, dum sorriso aberto, tudo isso é ter por perto, motivos válidos para continuar o caminho...quando persentimos que tudo se converte num tempo obscuro, quando enfrentamos a solidão e o silêncio,  ficamos surpreendidos e mudos como um vento adormecido, parece já nada fazer sentido, mas se a memória lembrasse ainda, o riso das águas, o voejar dos pássaros, o tocar as flores com as mãos, bastaria, para que o sonho prosseguisse, e a vida não nos asfixiasse de vez...

nnuno

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