palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
domingo, 1 de fevereiro de 2026
eu e as minhas bonecas de trapo... memórias
as flores do campo...memórias
com tão pouco e tão felizes, as crianças da minha infância, tudo e nada tínhamos, porque o pouco era muito, o pãozinho do forno de lenha, as flores do campo, as canções dos grilos e das cigarras, as poças d'água para saltarmos, e um sonho a cada manhã, poder brincar na rua com asas pespontadas de alegria, com os cabelos ao vento rua abaixo, rua acima, com a benção do sol e a ternura dos pássaros, que nos espiavam para que deixássemos os ninhos em paz, fomos felizes sim, por isso ainda trazemos esta saudade fecunda em nós, nossos olhos roubavam a luz ao sol, enquanto ele nos dourava a pele, enquanto voávamos de pés descalços, com a gratidão ao rubro por tanta coisa boa...a aldeia fermentava de sabores e cores tão nossos conhecidos e à noite o vento cantava pelas frestas do telhado, enquanto o braseiro aquecia o café e sonhávamos, sonhos fumegantes, até chegar o sono e adormecermos em paz... na manhã seguinte, tudo retornava as brincadeiras ébrias de alegria com os companheiros, os saltos e correria... hoje fecho os olhos apago-me no silêncio e rememoro as minhas raízes na aldeia, onde sempre era primavera e os pássaros vinham pousar nas glicínias da mãe...
natalia nuno
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não sei como dizer...memórias
não sei como dizer da dor da minha escrita, no sol que nela nasce tardio, dos dias partidos um a um, das noites mergulhadas no silêncio, sufoca ela nas minhas mãos e colho poemas desfeitos, fugidos do peito em agonia infinita... não sei se voltarei a escrever, as palavras golpeiam-me os pensamentos, velhas, cheirando a humidade, insistindo agarradas aos meus dedos, esparramando-se em pranto e saudade, mas não me seduzem nem convencem, não têm mais ordem para nascer neste tempo enigmático de outono que me faz sofrer, cortei o fio que me atava à poesia que me trazia sonhos quiméricos, para depois me perder na obscuridade de mil sombras...hoje quero falar do aroma da infância, da linguagem da natureza, acariciar os regatos que me saem da garganta, nas canas verdes dos meus olhos deixar pousar os pintassilgos, os melros, esses sim, tão vivos enraizados na minha memória, feitiço que me levará ao esquecimento...lá, onde se eleva uma estrela que me acolhe...
natalia nuno
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