domingo, 1 de fevereiro de 2026

eu e as minhas bonecas de trapo... memórias




minhas bonecas de trapo
-ainda hoje os meus sonhos são de assombro e a claridade ainda resiste nos meus olhos como se fosse criança, essa criança que acompanha com seu carinho e amor o meu caminho, sempre com a palavra necessária e certa, a esperança a felicidade e a alegria que um dia foi nossa, após tanta distância, unimo-nos, envolvemo-nos em sonhos azuis e escapamo-nos numa embriaguês onde tudo é íntimo...

nnuno
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as flores do campo...memórias



com tão pouco e tão felizes, as crianças da minha infância, tudo e nada tínhamos, porque o pouco era muito, o pãozinho do forno de lenha, as flores do campo, as canções dos grilos e das cigarras, as poças d'água para saltarmos, e um sonho a cada manhã, poder brincar na rua com asas pespontadas de alegria, com os cabelos ao vento rua abaixo, rua acima, com a benção do sol e a ternura dos pássaros, que nos espiavam para que deixássemos os ninhos em paz, fomos felizes sim, por isso ainda trazemos esta saudade fecunda em nós, nossos olhos roubavam a luz ao sol, enquanto ele nos dourava a pele, enquanto voávamos de pés descalços, com a gratidão ao rubro por tanta coisa boa...a aldeia fermentava de sabores e cores tão nossos conhecidos e à noite o vento cantava pelas frestas do telhado, enquanto o braseiro aquecia o café e sonhávamos, sonhos fumegantes, até chegar o sono e adormecermos em paz... na manhã seguinte, tudo retornava as brincadeiras ébrias de alegria com os companheiros, os saltos e correria... hoje fecho os olhos apago-me no silêncio e rememoro as minhas raízes na aldeia, onde sempre era primavera e os pássaros vinham pousar nas glicínias da mãe...

natalia nuno

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não sei como dizer...memórias



não sei como dizer da dor da minha escrita, no sol  que nela nasce tardio, dos dias partidos um a um, das noites mergulhadas no silêncio, sufoca ela nas minhas mãos e colho poemas desfeitos, fugidos do peito em agonia infinita... não sei se voltarei a escrever, as palavras golpeiam-me os pensamentos, velhas, cheirando a humidade, insistindo agarradas aos meus dedos, esparramando-se em pranto e saudade, mas não me seduzem nem convencem, não têm mais ordem para nascer neste tempo enigmático de outono que me faz sofrer, cortei o fio que me atava à poesia que me trazia sonhos quiméricos, para depois me perder na obscuridade de mil sombras...hoje quero falar do aroma da infância, da linguagem da natureza, acariciar os regatos que me saem da garganta, nas canas verdes dos meus olhos deixar pousar os pintassilgos, os melros, esses sim, tão vivos enraizados na minha memória, feitiço que me levará ao esquecimento...lá, onde se eleva uma estrela que me acolhe...

natalia nuno

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