domingo, 1 de fevereiro de 2026

as flores do campo...memórias



com tão pouco e tão felizes, as crianças da minha infância, tudo e nada tínhamos, porque o pouco era muito, o pãozinho do forno de lenha, as flores do campo, as canções dos grilos e das cigarras, as poças d'água para saltarmos, e um sonho a cada manhã, poder brincar na rua com asas pespontadas de alegria, com os cabelos ao vento rua abaixo, rua acima, com a benção do sol e a ternura dos pássaros, que nos espiavam para que deixássemos os ninhos em paz, fomos felizes sim, por isso ainda trazemos esta saudade fecunda em nós, nossos olhos roubavam a luz ao sol, enquanto ele nos dourava a pele, enquanto voávamos de pés descalços, com a gratidão ao rubro por tanta coisa boa...a aldeia fermentava de sabores e cores tão nossos conhecidos e à noite o vento cantava pelas frestas do telhado, enquanto o braseiro aquecia o café e sonhávamos, sonhos fumegantes, até chegar o sono e adormecermos em paz... na manhã seguinte, tudo retornava as brincadeiras ébrias de alegria com os companheiros, os saltos e correria... hoje fecho os olhos apago-me no silêncio e rememoro as minhas raízes na aldeia, onde sempre era primavera e os pássaros vinham pousar nas glicínias da mãe...

natalia nuno

imagem pinterest

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