segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

nada pode mudar...



outono doce, inverno amargo
escrevo poemas inúteis
falando da lonjura e da saudade
que trago
finjo esquecer o aceno triste 
que a lembrança me faz
olho o céu cristalino
e fico em paz

nada pode mudar,
o tempo é incessante
recorda-se a vida
que já foi pujante

os olhos vagueiam
mesmo de pálpebras cerradas
a face, o tempo lhe trouxe impiedade
sonhos adormecidos
paixões apagadas
da íntima fogueira, só a saudade

aquilo que ainda arde
é a audaz memória
os instantes que alguma vez amei
lembro, enquanto não é tarde

mas a vida teve o seu lado generoso
hoje dele nos afasta
forja-nos num adeus teimoso
ao sol jovem, e assim nos arrasta.

procuro um pouco de claridade
sou ave ferida de saudade...

natália nuno
imagem pinterest




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