pairam as abelhas no rosmaninho
mas a casa está desabitada
as flores já não habitam o caminho
tudo é efémero, não resta nada
tudo perdeu força e intensidade
resta a saudade...
paira o cheiro a alfazema
e um vaivém de pássaros chilreia
e eu fazia um poema
enquanto a avó fazia meia
amanhã passa a procissão
vou engomar o saiote com ferro
- de carvão!
levantei cedo minha asa
e ao voltar não sei como calar
a falta que me fazem os de casa
que partiram para não mais voltar
já o pai não faz o baloiço
naquela árvore velha e adormecida
mas o assobio ainda ouço
como se a vida ainda fosse vida
os dias arrastavam-se sonolentos
nas noites chegavam as fragrâncias
estonteantes
e no firmamento estrelas prateadas
distantes.
enquanto a a luz da candeia tremia
- e se ouvia o relógio da igreja dar horas
o sonho alimentava a imaginação
das crianças, ao serão!
hoje tudo não passa de lembrança
que teimosa, não me deixa esquecer
ficou tanta coisa por dizer
dessa criança.
natalia nuno