palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
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terça-feira, 16 de novembro de 2010
HÁ QUE GANHAR E PERDER
Há que ganhar e perder...
Meu coração bate como se milagre se desse
E se eu voltasse ao dia da partida?!
E se voltasse atrás completamente?!
Ao vento selvagem que no rosto me batesse?!
Rever tudo o que ficou no coração silencioso.
A praça, o fontanário, o casario,
O rio, só ele murmurava, ele sómente!
É como estar em vésperas duma alegria desconhecida.
E tudo o resto se apagar da mente.
Esta ideia que me faz viver e palpitar
Num desejo de irreprimível felicidade
Ah, como fico ensurdecida pelo bater do coração
Fica-me um sorriso na cara, há uma razão!
Hoje só os meus pensamentos falam
Numa ansia louca de libertação
Não querem perder o fio à meada!
Deixar-me tranquilamente envelhecer? Nunca!
Ficar completamente grisalha? Nunca!
São momentos de loucura, não tentem entender.
Ficar com o olhar triste, a palavra em fallha?!
Bastam os anos perdidos!
As mãos que já não conheço!
Chega de sinais do tempo que me despedaçam
Quero de volta todos os sentidos!
O esquecimento? Não obrigada.
Deixem-me tranquila nesta minha maneira de ser
Deixem-me a sós com a poesia amada.
Logo se vê na luta tudo pode acontecer
Há que ganhar e perder...
Por agora quero apenas sonhar, viver.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 3 de agosto de 2010
PALAVRAS VIGIAS DO TEMPO
Palavras vigias do tempo
Fervilham pensamentos dentro de mim
Hoje, é a palavra quem fala
E meu rosto, minha vontade e assim!?
Também meu coração não se cala.
Minhas palavras são pobres, impotentes
Não uso palavras caras nem chavões
Defendo a poesia com calor e generosidade
Com poemas melancólicos, benevolentes
A minha poética vem de longe tráz saudade
E gritos que chegam aos corações.
Entrego-me à palavra com sofreguidão
às vezes dentro de mim adormecida
E se o pânico se apodera do coração?!
Vou perdendo a memória e com ela a vida.
Então meu sonho se desfaz aos bocados
Nada voltará a ser como dantes?
Borbulham em mim imagens de passos dados
Desafiando minhas horas amargas e inquietantes.
Trago um sentimento em mim arreigado
Sou sensível à palavra e seu rigor
No silêncio meu desejo trago amotinado
Talvez da idade, a tudo eu dou mais valor.
Meus versos se ficam sofridos, p'lo caminho
Já não querem ser lidos nem ouvidos
Talvez de afectos até façam ninho
Quem sabe?!
Não possam vir a ser versos queridos?!
natalia nuno
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