quarta-feira, 22 de julho de 2026

presenças invisíveis...



os poemas são meus filhos
às vezes vivem em momentos
de deserto
outras no coração
- ou ali por perto!

às vezes fustigam-me
criticam-me de não condenar
o mundo
outras deixam-me em silêncio
profundo

não me deixam embelezá-los
tiram-me até a lucidez
tento até deformá-los
mas são meus filhos
e eu vou amando um a um
à vez.

às vezes fazem-me perguntas
ignorantes
outros surgem apaixonados
desditosos e amantes
e às vezes pela dor são convocados.

natalia nuno
imagem pinterest

devo ou não devo?!...



a vida foi um calendário
vivido hora a hora
onde o amor se alimentou
e a ausência feriu
- distante o sonho ficou!

não quer nem é possível regressar
e golpeia, golpeia na dor
sem parar

tudo é verde, pacífico
e quente,
e a gente
vai tecendo alguma esperança
traz na memória uma lâmpada
secreta,
que lhe traz o fogo de criança

o que escrevo, apaga-se depressa
fica no ar o sonho
dum coração que não se expressa

na alma a poesia permanece
é como aroma do trevo
é ternura silvestre
saudade que sobe e desce
abandoná-la devo, ou não
devo?

natalia nuno
imagem pinterest