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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

HORAS CINZENTAS













HORAS CINZENTAS

Finda o dia e no silêncio me enclausura
Silêncio, que me leva ao esquecimento
Murmura já a noite, murmura
Me chega o teu rosto, confuso, ao pensamento.

Cresceu o frio da tua ausência
Restou apenas a solidão
Sou pedra entre pedras, numa indolência
Abriu-se uma ferida em meu coração.

Partiste, já não viste!
A sombra desolada do meu rosto
O abandono sentido na noite deserta
Nem leste no meu olhar o desgosto.
E deixáste a saudade sempre alerta.

Neste refúgio, onde criávamos doçura
Resto eu, que já de mim me esqueço
Sepultada na noite continuo à procura
De encontrar o sonho, onde aconteço.
É simples o resumo duma vida
Espero o som da tua voz chegando
És a luz há muito perdida
Um mito que eu vou amando.

Meus olhos são a névoa dum dia cinzento
Nevoeiros caídos já sem remédio
Me envolvo no sonho só ele me dá alento
E me deixo folha extraviada, nestas horas de tédio.

rosabrava
natalia nuno






terça-feira, 3 de agosto de 2010

PALAVRAS VIGIAS DO TEMPO



















Palavras vigias do tempo


Fervilham pensamentos dentro de mim
Hoje, é a palavra quem fala
E meu rosto, minha vontade e assim!?
Também meu coração não se cala.
Minhas palavras são pobres, impotentes
Não uso palavras caras nem chavões
Defendo a poesia com calor e generosidade
Com poemas melancólicos, benevolentes
A minha poética vem de longe tráz saudade
E gritos que chegam aos corações.

Entrego-me à palavra com sofreguidão
às vezes dentro de mim adormecida
E se o pânico se apodera do coração?!
Vou perdendo a memória e com ela a vida.

Então meu sonho se desfaz aos bocados
Nada voltará a ser como dantes?
Borbulham em mim imagens de passos dados
Desafiando minhas horas amargas e inquietantes.
Trago um sentimento em mim arreigado
Sou sensível à palavra e seu rigor
No silêncio meu desejo trago amotinado
Talvez da idade, a tudo eu dou mais valor.

Meus versos se ficam sofridos, p'lo caminho
Já não querem ser lidos nem ouvidos
Talvez de afectos até façam ninho
Quem sabe?!
Não possam vir a ser versos queridos?!



natalia nuno