palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 4 de abril de 2026
medo...
miragem...
uma miragem branca passa pela mente, e esta vai macerando o esquecimento, mas nas sombras dos teus olhos, consigo ver com os meus, que o amor é mais forte e tenaz que a confusão e o caos que às vezes quer apoderar-se do pensamento e apagar o odor a madressilva, o mel quente e o prazer que ainda nos atravessa...no oásis da memória continuam os sonhos como milagre, numa claridade distinta onde permaneces e eu continuo a amar-te...não fugiram de mim recordações que são astros vermelhos de verão a morar no meu coração.
natalia nuno
imagem pinterest
Gota d´água...
Será luz a nova flor que se abre?
Permanece o silêncio... talvez só uma comovida flor que o orvalho resolveu golpear, num prazer desperto de levar para longe a semente, com a promessa de fazer tremer a gota de água que a fará germinar...se te amo, é porque deixas o teu perfume a cerejas silvestres! Dá-me a tua promessa, acende meu arco-íris de prazer antes que enferruje a minha esperança e as palavras me resvalem na garganta...como um tíbio raio de sol, onde a claridade já estremece.
quarta-feira, 1 de abril de 2026
calam-se os rouxinóis...
sexta-feira, 27 de março de 2026
encosto a saudade ao peito...
e lá vou eu...
minha paz...
poema a mais um dia...
terça-feira, 24 de março de 2026
foi tenaz o amor...
a noite e o vazio...
sonhando com vôo...
caem folhas ao chão
este instante se apaga, ficam meus sentidos entorpecidos minha noite, em inquietação se alaga
foram-se os júbilos primaveris meus sonhos são ramos partidos que o vento levou para onde quis
as folhas caídas tão frágeis quanto eu, no chão adormecidas, na noite de breu,
e eu, sonhando com o voo, minhas mãos estendidas são folhas que tempo secou...![]()
natalia nuno
imagem pinterest
registos da memória...
sexta-feira, 20 de março de 2026
imagens vivas...
- quem experimenta um tal amor pelo lugar onde nasceu, sente-se duplicado em tudo, é um amor perfeito que nos inspira e é como uma dádiva benfazeja, as lembranças são colheradas de açúcar que adoçam o coração, ainda vejo a vela acesa na lareira e as feições da mãe na penumbra, embora com alguma dificuldade, mas ainda assim fico plena de júbilo e alimento a minha alma... a minha musa é a natureza, a minha força e pensamento e a memória não dorme...a inocência. o sorriso a gargalhada, a liberdade o alvoroço, imagens vivas que pulsam tal como meu coração.
-crescem dentro de mim árvores, numa longa avenida onde me perco e me encontro, onde me inquieto, onde me comovo, sorrio e sonho, esquecendo a dificuldade da descida...dou guarida às aves, deixo esvoaçar as borboletas, ouço os delírios dos ventos nas flores, ancoram em mim as estrelas, meus olhos bravos olham o vermelho dos cravos, existirei na essência de todas as coisas? crescem as begónias no jardim interior, as tempestades serenam e eu subo ao céu...apenas assim! num vôo de gaivota, leveza de mim.
natalia nuno
imagem pinterest
então vive Mulher...
a chuva intensa alaga a vidraça e tamborila insistentemente no telhado, e ela, alinhavando pormenores que não cessam na mente... fixa o olhar na fotografia em frente, e surpreendida, deixa-se entristecida, às vezes revolta-se, privada de esperança então, o deslumbramento pela vida mistura-se com o medo de a perder...muitas e estranhas são as vicissitudes, escreve palavras afastadas de si no tempo, separada pela vida inteira vai querendo abarcar apenas o dia a dia com inegável doçura, traz consigo uma chama interior terna e abrasante, quente e às vezes lancinante, mas nada a aflige nestes momentos de lassidão...depois, bem... depois conserta as palavras e seca nelas as lágrimas, diz de si para si: o coração ainda a bater, mora nele a vida... então vive Mulher.
natalia nuno
imagem pinterest
quinta-feira, 19 de março de 2026
sem nome e sem destino...
da aldeia moça saí...
quarta-feira, 18 de março de 2026
não sei por quanto tempo...
não sei por quanto tempo seguirei esta sucessão de instantes, ainda que o meu coração vá batendo, e assim, o corpo obedeça, aqui pertenço por enquanto ao mundo dos vivos, resta-me um pouco de felicidade, todas as manhãs sinto-me como ave que regressa de longe e encontra poiso na doce geografia do ano anterior, deixo adormecer algumas memórias vou ainda com alguma força, fazendo com que a luz que me segue tenha alguma brilho... embora já não seja como antes para mim, o tacto das flores, o riso das águas, nem o voo belo dos pássaros...trago as minhas pouco apuradas palavras tão perdidas na minha imobilidade, que a nostalgia já me está chegando no turvo silêncio da tarde.
nnuno
imagem pinterest
sede de abraços...
olho de novo o céu de nuvens cinzentas, seus pensamentos ledos e tristes vagueiam perdidos, a ternura que me percorre é como a frescura da manhã, caminho solitária e seus passos são lentos como o gotejar da mais íntima fonte, nos olhos molhados trago a saudade, mas no coração, sempre a mesma sede de abraços...meu sorriso de murta e jasmim vai-se abrindo almejando seu desejo de horizontes, já fui esbelta e harmoniosa e hoje me surpreendo, o tempo a deixou de fulguração despida, cansada, mas grata à vida por deixar-me envelhecer aguardo a noite que me traz sempre um sigiloso fogo d'alguma felicidade... ouço de novo o beber das palavras pela folha de papel, e uma luz fugidia desliza sobre o tecto dos meus pensamentos, aproxima-se e evade-se é a recordação a querer fugir-me, o peito aperta-se e eu permaneço imóvel no silêncio de destroçados muros, permaneço na espera que se abram clareiras e possa ser de novo flor imprevisível nascida das águas, ser sede, ser fragrância e de novo fogo e ternura para que possa inventar sonhos e ter tempo ainda de felicidade...quererei deixar pegadas na areia e se o vento as arrasar, sentir-me-ei cada vez mais indefesa, apagar-se-à sobre mim mesma, será o final sulcado pela morte...
natalia nuno
imagem pinterest
sonho perdido...
é o passado que se desenha na aura deste pensamento em vôo nas minhas mãos... enquanto os meus olhos riem, treme a água no açude e eu criança, com um tremor de asas no sangue...no reino da minha infância, o silêncio e o vento rondando nas ramas, e o chilreio lânguido do pássaro, ignoro quem voa melhor se ele, se eu... juntos pelo acaso deste sonho meu... e o clamor da minha existência vai-se apagando num outono de recordações, a idade avança sob a oculta hipocrisia de que amanhã será melhor, enquanto vou caindo como folha moribunda numa tarde declinante de inverno hostil...porque há muito foi primavera resplandecente, em plenitude... esse tempo que recordo amiúde, como um sonho perdido para sempre.
natalia nuno
imagem pinterest
a côr do outono...
hoje não ouvi o pintassilgo, talvez porque o ramo verde onde costuma pousar se encontra nu, não houve acordes de violino, e nem a minha mão indigente e cansada quis escrever palavras macias no poema onde eu pudesse o sol emoldurar... mesmo com a coragem a desabar... retrai a mim o silêncio e o coração descompassou, minha voz voltou à mudez, também eu perdi o ramo, irreparável descuido de meus olhos sombrios, entre a folha de papel e eu... poema feito ao acaso, muito breve e muito raso, com memórias cheirando a alecrim, pedindo que não esqueças de mim...quase... o tempo outra vez de ternura, fecho os olhos e logo a nostalgia a fazer doer! - - com a cor do outono e a maldição do tempo a passar, como eu precisava ouvir agora o pintassilgo tocando os acordes de violino para o coração ressuscitar... e tu, ousasses vir de novo me abraçar... enquanto meu olhar se perde no ramo que era verde...
natalia nuno
imagem pinterest
no silêncio...
no silêncio esmagador que oprime, de repente uma ave que cante numa árvore frondosa, uma rosa que abra, o bulício das abelhas ao redor, é sentir uma vontade de viver, deixar-se a fantasiar o resto do tempo, esquecer o vento da descrença, seguir em liberdade, sem o mínimo descuido, que o tempo apouca e corre como um rio fluido, nutrir cada dia com amor e mel como se fosse o último...esquecer a solidão dormente, rir com riso de medronho e continuar no sonho, nunca é sonhar em vão se ao acordar sentir bater, este velho coração...
será luz a nova flor que se abre? permanece o silêncio... talvez só uma comovida flor que o orvalho resolveu golpear, num prazer desperto de levar para longe a semente, com a promessa de fazer tremer a gota de água que a fará germinar...se te amo, é porque deixas o teu perfume a cerejas silvestres! dá-me a tua promessa, acende meu arco-íris de prazer antes que enferruje a minha esperança e as palavras me resvalem na garganta...como um tíbio raio de sol, onde a claridade já estremece.
nataliannuno
imagem pinterest
perdeu tudo...
perdeu tudo, sobra-lhe o nome, perdeu a desenvoltura, a passada, perdeu a vontade ficou sem nada, resta-lhe o nome... o tempo parou, o jogo acabou, como era antes, em tempos distantes?! havia em si todo um caminho toda uma vida e tem agora um beco sem saída...resta-lhe o nome, a vida é viver apenas, reconhece-se em lembranças serenas, passa a vida enviesada ora no passado ora no presente, ou é pedra pesada ou a traz contente...resta-lhe o nome, algumas ideias na cabeça, já nada acaba, mas tudo começa, a solidão é sua condição, mas que importa se o sonho ainda lhe bate à porta? resta-lhe o nome e a terra fria que a espera, há dias e dias em que desespera, recorda o passado como um livro lido, que lhe deixa no olhar um brilho incontido...
natalia nuno
pedaços soltos...
deixa-me o sabor da tua boca, acaricia meu rosto fatigado na tarde lenta em que as minhas mãos tecem palavras de loucura, como se rezassem!...olha-me com espanto, como se eu continuasse a ser o teu encanto, nua ou vestida percorre a minha pele, poro a poro, afunda-me no teu peito com aquele jeito, com que eu sempre coro...não me deixes neste silêncio estranho, ou no vendaval onde me dobro para não quebrar, o tempo cruzou-se comigo nestas longas caminhadas pejadas de partidas e chegadas, deixou sinais que não posso esquecer e restos de esperanças que quero reter...há lembranças que se vão desvanecendo tal como a tarde, percorre-me o sonho na claridade do teu olhar, onde a felicidade e a ternura são canção de embalar...os meus dedos de menina escrevem umas linhas de amor, e nas tuas mãos, esconde-se a lua vestida a rigor...
natalia nuno
a carência de ti...
a carência de ti não me abandona, invento tempo de felicidade... meus olhos abertos pelo fogo da ternura voltam a embebedar-se de alegria num beber lento e doce, e a memória volta àquele momento distante quando comecei a desejar-te...de repente há um aroma que me recorda o que ficou para trás, e as minhas palavras são as sombras onde me encontro perdida, lá onde a dor é mais forte e me deixa sem norte, sou agora a velhice e ao mesmo tempo a juventude, grito a dor num poema invisível que declamo amiúde, e num golpe de garra saio do silêncio dos versos e continuo a pulsar com uma força que não aceita derrube...e o amor é um agasalho que me cobre e me põe a sonhar...caio assim neste abandono de doçura vestida, adormecida na minha derradeira saudade.
natalia nuno
imagem pinterest
miragem...
uma miragem branca passa pela mente, e esta vai macerando o esquecimento, mas nas sombras dos teus olhos, consigo ver com os meus, que o amor é mais forte e tenaz que a confusão e o caos que às vezes quer apoderar-se do pensamento e apagar o odor a madressilva, o mel quente e o prazer que ainda nos atravessa...no oásis da memória continuam os sonhos como milagre, numa claridade distinta onde permaneces e eu continuo a amar-te...não fugiram de mim recordações que são astros vermelhos de verão a morar no meu coração
- as acácias encheram-se de flor no interior da minha fantasia, baralharam-me os sonos e os sonhos, deixaram-me nesta lenta solidão, com os olhos adormecidos, e a negarem-me as asas de adolescente que me levam sempre à lembrança, mesmo que a memória demore...as acácias, trazem o perfume ao meu beijo, quando tenho o coração apertado, o tempo me barra o caminho e, me prende o corpo à negação... acelero meus olhos, mora em mim um vento quente e vou admiradamente longe, onde só as acácias têm cheiros de auroras, vindos pelos ventos até meus pensamentos...onde tu moras!
natalia nuno
imagem pinterest
terça-feira, 17 de março de 2026
céu da minha janela...
hoje o sol que mal avisto, olha-me com seu olho negro por detrás das nuvens, deixando-me a sensação de me deixar de vez...golpeada por uma luz cinzenta, a vida é cada vez mais depressa lavareda sufocante, que me queima os sentidos, até que tudo se distancia da memória, desvanecidas as lembranças, fico ouvindo o vento e contemplo a chuva que corrompe a esperança, e o frio nebuloso traz-me o tremor como se fosse a última folha caída da tarde, e impede a alquimia da minha mente, de voltar às lembranças...
natalia nuno
imagem pinterest
sexta-feira, 13 de março de 2026
lá onde abandonei a inocência...
no norte das minhas palavras abandonei a inocência, lá onde tudo era sonho, onde era seara e girassol, onde lavrava a alegria, onde havia lufadas de sol onde via regressar as papoilas vermelhas e os pássaros construíam ninhos nos beirais dos telhados...as estrelas vazaram, e trago agora os olhos molhados...fico a secar os olhos embaciada de emoção, sigo por entre a maresia à minha procura, porque me dói não saber quem sou, nem onde estou, não me reconheço e sempre que a mim regresso há um desajuste entre o sonho e a realidade, parto com velocidade... que mal fiz eu...quem secou a flor em mim?! de trigo eu era...hoje sou girassol que morreu, assim morreu-me também o tempo...sou pássaro no escuro à procura dum pouco de primavera... sigo caminho com o afago do vento não me deixo entristecer, não quero mais palavras, que já nada têm para me dizer...
natalia nuno
imagem pinterest
quinta-feira, 12 de março de 2026
quando a alegria se aposenta...
sábado, 7 de março de 2026
pura magia...
o sorriso voltou-lhe os lábios e depressa se desvaneceu, dissimilou os pensamentos, porém, vai assimilando as voltas que a vida deu... embrenhada na natureza, senta-se numa pedra junto ao rio com a pureza própria duma criança, e vai pacificando as emoções até aquietar o coração... da solidão nasce o silêncio, e como por magia volta a sonhar e a manter viva a esperança, tem pensamentos líricos que viajam na corrente, são agora os olhos que sorriem e volta a sentir-se gente, cada paisagem, cada rosto, é alento do seu dia, e no rasto do silêncio vai crescendo um lago onde um cisne branco se espaneja na memória, deixando promessas de criar do nada poemas de paixão, procura nos caminhos do vento ou nas paredes prateadas da lua a inspiração, sonha em cada linha e caminha indiferente à solidão ...
natalia nuno
imagem pinterest
nas asas do sonho...
quinta-feira, 5 de março de 2026
apelo á memória...
segunda-feira, 2 de março de 2026
coisas de Poeta...
sempre a solidão...
e os desejos que a alma sente,
o tempo acomoda,
e o corpo
que é flor bravia,
ama sempre que puder
o amor ilumina o mundo
e serena o coração
às vezes dói bem fundo
quando desespera de paixão,
logo se abrem cicatrizes e
esfria o coração, a alma perdida
presos à recordação
continua a vida... suspensa na ilusão!
dia solarengo em mim...
de certo modo aprazível,
cruzam-se pássaros na memória,
ouço o vento por entre as árvores,
nem tudo está perdido, percorri,
caminhei, voltei
- a recordar a vida e a distância,
com a ternura deste inverno,
que brota vida à minha volta...![]()
vendaval...
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
é noite no coração...
sábado, 21 de fevereiro de 2026
audácia de sonhar...
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
uma paz fatigada...
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
nada pode mudar...
domingo, 1 de fevereiro de 2026
eu e as minhas bonecas de trapo... memórias
as flores do campo...memórias
com tão pouco e tão felizes, as crianças da minha infância, tudo e nada tínhamos, porque o pouco era muito, o pãozinho do forno de lenha, as flores do campo, as canções dos grilos e das cigarras, as poças d'água para saltarmos, e um sonho a cada manhã, poder brincar na rua com asas pespontadas de alegria, com os cabelos ao vento rua abaixo, rua acima, com a benção do sol e a ternura dos pássaros, que nos espiavam para que deixássemos os ninhos em paz, fomos felizes sim, por isso ainda trazemos esta saudade fecunda em nós, nossos olhos roubavam a luz ao sol, enquanto ele nos dourava a pele, enquanto voávamos de pés descalços, com a gratidão ao rubro por tanta coisa boa...a aldeia fermentava de sabores e cores tão nossos conhecidos e à noite o vento cantava pelas frestas do telhado, enquanto o braseiro aquecia o café e sonhávamos, sonhos fumegantes, até chegar o sono e adormecermos em paz... na manhã seguinte, tudo retornava as brincadeiras ébrias de alegria com os companheiros, os saltos e correria... hoje fecho os olhos apago-me no silêncio e rememoro as minhas raízes na aldeia, onde sempre era primavera e os pássaros vinham pousar nas glicínias da mãe...
natalia nuno
imagem pinterest






.jpg)

.jpg)











.jpg)


.jpg)









.jpg)






