embacia o poente
faz-se a despedida silenciosa
do dia
meus olhos apagam-se
numa difusa recordação
é noite no coração
recolho em mim a sombra
dum tempo
um mar atormentado que cresceu
humana inquietude que Deus
me deu
o tempo vai levando o sentido
o fim da palavra, vou ter que aceitar
e depois de ter emudecido
nem sei se arranhadas memórias
serei capaz de ressuscitar
como areia pelo mar engolida
vão-se as lembranças no frio
dum destino obscurecido,
que vida, que rio, que escrita
sem sentido...
desvela-se a realidade
sem piedade
senti quão próximo a sombra
já me olha
como posso sobreviver
- à sua avareza?
luto sem trégua,
e atormentada certeza.
natalia nuno
imagem pinterest

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