no sonho ali morava
via-me diante dum jardim
escrevia, escutava e salvava
tudo que via, com saudade
aos meus olhos o alecrim
como se fosse milagre
que me fazia crer que o Mundo
não era tão mau assim
ali morava eu sem idade
diante dum jardim abstracto
e escrevia, escrevia a saudade
da juventude que olhava num retrato
decifrava na bruma do sonho
o seu significado, tudo tão disperso
e eu como se fosse "meio-dia"
louca,
escrevia mais um verso!
mas a "noite", já me apanhara,
hoje sou simplicidade sem nome
a noite meu corpo alcançara
com fúria de quem tem fome!
mas o poema salva quem o escuta
serve de alívio ou serve para nada,
e para quem o escreve é uma luta
de nem saber se é sonho
ou estará acordada...
natalia nuno
imagem pinterest

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