domingo, 19 de novembro de 2023

odor a solidão...



noite fatídica ancorada na insónia
diz-me que estou vencida
anoite e a sua nostalgia
como que a predizer a vida

trago o meu fervor à deriva
o silêncio diz-me que estou só
mas nos meus olhos a sede
da beleza do dia, sinto-me viva.

sou flor solitária à espera do sol
que me alenta na sede e no pranto
na memória a liberdade do mar
e as cicatrizes mal curadas do coração
tristezas por enterrar
e ainda o fogo verde da ilusão

ameaçador o pulsar das horas
sinto-me engolida pelas águas
rumor de mágoas
odor a solidão

natalia nuno
imagem pinterest

domingo, 12 de novembro de 2023

palavra solitária...


saber-me viva
aqui onde não me podem alcançar
só a solidão é minha companhia
e versos ainda verdes, que sempre vou amar

lanço palavras ao acaso
como quem anda à procura
e é tamanha a nostalgia
que de loucura me arraso,
me derrubo dia após dia

mas há sempre uma onda ardente
que me arrasta
e lá sigo adiante, confiante
como quem nunca parecera envelhecer
eu, e a inútil palavra solitária
que se aproxima e evade
e é ferida aberta, saudade.

natalia nuno
rosafogo
imagem pinterest

 

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

quando surge a nostalgia...



nas lentas lembranças da tarde
quando o sol se despede no poente
surge nostalgia a falar-me da gente
da juventude dos corpos,
vindo ao de cima um irremediável
ardor...

como se não fosse já capaz
de dar um passo
solitária, a vontade jaz,
precisa urgente dum abraço!

ouve o vento entre as árvores
parece-lhe um mundo já perdido,
que longínquo o já vivido!
foi a pressa dos passos
agora segue errante de si
até ao fim, pergunta
o que faço aqui?!
onde a noite se esconde
e a morte por certo me ronde.

voa no voo perdido das folhas
leva no coração que nada vê!
esse amor, ainda, quando a olhas
fogo secreto de quem ainda crê.

natalia nuno
rosafogo



domingo, 5 de novembro de 2023

a poesia...



a poesia é meu reino íntimo
e perfumado
é a imagem do meu ânimo agitado
tem o fulgor tão belo quanto a vida
é difícil fazer dela a despedida

a poesia tem um estranho poder
para mim é como se fosse um espelho
enche-me de vida e faz-me saber,
às vezes pergunto-lhe se é ele q' é velho
ou eu...e não quero crer!

a poesia está no caminho palmilhado
é água que corre e eu atrás dela,
é sonho que é meu aliado
que todos os dias me abre uma janela

a poesia vive inquieta olhando o papel
é a sede arrasadora, a paixão entranhada 
em mim, agitada em minha pele.

natalia nuno

sábado, 4 de novembro de 2023

modo de lembrar...




amanhece na saudade
segura um tempo que passou
esquece a realidade
onde a fatalidade dá conta
do mundo

relembra os campos em ondas de lírios
recorda a face na plenitude de rapariga
suas asas esquivas de gaivota
e dos livros que lia,
- a palavra amiga.

trazia na pele o odor a tomilho,
o corpo anelado de ternura
e no olhar um certo brilho
que mistério traria a vida futura?

moinho de vento no seu esplendor
e no pensamento a nostalgia das noites
d'amor.
girando nas lembranças o coração
descobre no seu pulsar
o quanto foi bom amar,
nas lentas palavras que sua mão
desenha, não deixa de sonhar.

natalia nuno
rosafogo
imagem pinterest











quinta-feira, 2 de novembro de 2023

palavras errantes...



ao sabor do tempo
escrevo sem sossego
cada hora é subtraída à vida
e as palavras errantes
dizem-me a todos os instantes
que vão cair no vazio
da memória, 
sem sentido 
com destino incerto
enquanto novembro chega
com a nostalgia por perto

tacteiam no abismo
à porta da escuridão
enquanto meu corpo treme
e não detenho a minha mão

fico estátua ao relento
calam-se as aves, ouço o tamborilar
da chuva e do vento
é a natureza a ditar a sua lei
a noite é mais uma mão que tudo cerra
mas da força, um pouco guardei

no coração guardo também a grandeza
dos sentimentos
e o silêncio assegura-me liberdade
dos pensamentos
enquanto por fim
assoma em mim a saudade.

natália nuno
rosafogo
imagem pinterest



segunda-feira, 30 de outubro de 2023

meus versos...



meus versos 
são barco sem leme
vogam pela vida
como quem nada teme,
ao sabor do vento, sem inquietação,
cheia de memórias ouço-lhes o ruído
às vezes tiram-me da solidão
desafiando-me, horas a fio ao ouvido

versos que correm p'la minha mão
relembram a vida toda
e nem uma palavra sobre o futuro
a não ser a agitação
dum tempo que se prevê duro

nos meus versos tristes
dissipa-se a aurora
e o tédio neles vigora!
quando a esperança me abandona
as estrelas já não fulguram,
nem as searas aprendem o vento

neles se esvai meu pensamento.

natalia nuno
rosafogo
imagem pinterest