meus poemas são um jogo para iludir a morte, dura é a solidão da minha mão que sonha e escreve, embora pressinta que o seu desempenho, não traz prémio, nem milagre, serve, ou não serve para nada, talvez incendeie o fervor extraviado de alguns corações.
palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
domingo, 28 de janeiro de 2024
quarta-feira, 17 de janeiro de 2024
antes que a memória se perca...
tudo ainda arde com formosura
tanta, que ainda na memória dança
a ternura, gemidos d' amor,
já à distância,
esse amor que ainda nos abraça
com a mesma magia.
hipnotiza-se o sol nas águas do rio
enquanto sussurro metáforas, fio a fio.
confidências me fazia a aurora
já nada se repetirá, os segredos aprendidos,
a música dos pássaros aos ouvidos,
como inventar a hora
de me devolver todos os sentidos?
vem o luar de Agosto,
meu companheiro de segredos
e eu ferida de saudade,
no pulsar do tempo, meus medos,
tua sombra limpa claridade
e as palavras asas dos meus dedos
os caminhos levam meu olhar
inquietas as malvas orvalhadas
o frenesim dos pássaros na ramagem
papoilas ao vento despenhadas
e no meu coração a tua imagem
de então.
e assim flutua ainda tudo na retina
tudo no horizonte deste poema
a fragrância formosa da terra
que é meu preferido tema
não existe agora mais que este céu
acende-se um arco-íris que é teu e meu
junto ao salgueiro adormecido,
lembrança de tanto nos havermos querido.
natalia nuno
rosafogo
segunda-feira, 8 de janeiro de 2024
faminta de vida...
as palavras mais puras
eram lírios, eram ternuras
latejava o coração de emoção
no pensamento madressilvas nasciam
ilusões cresciam
era tempo de juventude
com odor natural a relento
e a timidez de jovem
mitigando o desejo
silvestre,
faminta de vida,
pela doçura seduzida,
o tempo era seu mestre.
era preciso acreditar, crer,
fazer da vida primavera
entrançar a alquimia na mente
apostar na sorte e viver
sem espera
a rasgada rebeldia não perder,
deixar-se ir na onda ardente
- que era viver!
era então tempo de juventude.
que recordo tão amiúde.
natalia nuno
rosafogo
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terça-feira, 2 de janeiro de 2024
inquietude...
reconhece o seu rosto
embora perdido o sorriso
a face é parede parda de inverno
o olhar indeciso
mas o sonho eterno!
contínua a esperança
e a aceitação da vida
relembra-se com ardor, criança
a insónia é constante
o rumor das palavras no pensamento
e um pressentimento a cada instante
que lhe traz desalento
o sonho, ou talvez a paixão,
não lhe deixa cruzar os braços
rasga o silêncio
esquece os cansaços.
traz inquietude sem sentido
e o tempo melancolicamente
confundido...
natalia nuno
rosafogo
imagem net
sexta-feira, 15 de dezembro de 2023
a aguardar mais um dia...
com cristalino alento
vou deslumbrando meus dias
antes que estes
chamem meu esquecimento,
faço do mar e da lua
as minhas companhias
também as tardes nuas de verão
trazem aquele doce cansaço
quando o outono da vida
- é já só recordação
e o inverno avança mais um passo
e é na fronteira da noite
que a lua mostra,
um brilho de cisne luminoso
surge o vento enlouquecido,
traz-me a quimera e nostalgia
herança do tempo vivido
na lívida luz que afoga meu dia!
natalia nuno
rosafogo
sábado, 9 de dezembro de 2023
esvaziei os sentidos...
estou perdida
trago em mim temporais
restos de vida vivida
com anjos e demónios
tão reais
o tempo não apaga
minhas pegadas pelo chão
nem altera o que guardo
no coração.
no lado de dentro do peito
sinto as coisas do meu jeito
esvaziei meus sentidos
pobre é minha poesia
pássaros estranhos aos ouvidos
e a insónia dia a dia
que agonia!
há-de chegar a primavera
diz-me o sonho que sonhei
lá estará à minha espera
a alegria que agora sentir
não sei.
natalia nuno
rosafogo
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quinta-feira, 7 de dezembro de 2023
destino amargo doce...
para trás foi-me ficando
tudo o que desde criança fui
amando...
lembrando, os passos que dei
nem parecem meus
passam também pela lembrança
os passos perdidos, foi Deus
que assim quis que fosse
meu destino, amargo, doce.
tudo passou.
fiquei eu, árvore tenaz
das raízes obtive herança,
o tempo greta os meus sentidos
mas ainda sou capaz
de trazer sonhos
no coração escondidos.
cada vez mais depressa a vida
palavras, despedidas, madrugadas
silêncios, e tanto que amor dei!
hoje trago as palavras cansadas
restam-me as que por amor guardei.
natalia nuno
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