quinta-feira, 15 de outubro de 2026

dois dedos de conversa...



- caíram muros desamparados, ficaram as sombras e as marcas dos que por ali passaram e nos corações dos que ficaram resta a saudade infinita...reverdece a natureza, o rio continua a cantar, o sino não envelheceu seu som é o mesmo de sempre, o moinho parou de moer o pão e ali, sente-se a solidão, era grande o serviço prestado ao povo que ali levava o milho e o trigo, e os arvoredos à sua volta gostavam de o ouvir na sua ventura de trabalhar o dia inteiro...também a ída ao poço, já não é o que era, jorrava água para o interior das enfusas ou quartas, e passavam-se bons bocados de conversa, momentos aprazíveis entre as mulheres da aldeia quer fosse ao frio rigoroso de Janeiro, ou ao calor escaldante Agosto, os homens mais jovens na praça olhavam-nas de soslaio, já que os mais velhos se entretinham com um copo de vinho na sua frente, na taberna do Aspirante e noutras da aldeia, e as moças não rejeitavam a conversa se por acaso algum viesse à fala... a noite arrefecia, chegava o sereno com sua  frescura e lá se ia ao estendal apanhar a roupa, pelo caminho mais dois dedos de conversa sobre as noticias desse dia, mais um segredo que corria de boca em boca, depois vinha a ceia que o dia tinha sido farto de trabalho, mas à mesa a fartura era pouca e a fome apertava...às vezes havia brigas entre os casais, onde ninguém metia a colher, no dia seguinte a mulher perdoava e a vida seguia o seu rumo normal... não há nada que pague o encantamento que é sentir o aroma da infância e o amor silencioso que o envolve...

natalia nuno

imagem pinterest

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