encosto-me aos dias, perdida
de mim as horas passam devagar
palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
encosto-me aos dias, perdida
de mim as horas passam devagar
abandono-me em ti
saio do meu casulo
és o meu porto de abrigo
a cama onde me deito
contigo de mão dada sigo
de amar-te é este no meu jeito
cansei da palavra
trago a memória escura
tenho fome de ternura!
só o teu olhar me vive
o maior sonho és, que alguma vez
eu tive...
natalia nuno
rosafogo
estremecem as flores, ansiando por dias de sol primaveril que se negam a aparecer, tristes esquecem-se ao que vieram e desfolham com a impiedosa chuva, porém nos montes e vales dos nossos corações, permanece a imagem da sua beleza ou permanecem à porta dos nossos olhos...que anseiam céus claros, enquanto o coração recolhe a dor, olhando as flores despidas, nessa despedida silenciosa..
natalia nuno
rosafogo
embalo sonhos junto ao peito,
e por entre eles desdobra-se a vida,
serei gaivota à espera da maré
na praia deserta,
marcas de saudade...
natalia nuno
rosafogo
não me lembro onde deixei as mãos, queria tanto baloiçar nelas os sonhos, lapidar ilusões, deixar sentimentos ao rubro, acreditar que o sol ainda é sol, que no meu peito ainda há fogueira, soltar gritos, disfarçar as rugas desta casa velha... a minha cabeça é um baú de memórias que as minhas mãos vão bordando no silêncio, no frio da insónia...mas hoje minhas mãos não têm poesia, ficaram paradas, magoadas nesse silêncio, a noite morreu e eu, não as reconheço, talvez queiram que enlouqueça em paz, com a saudade a viver dentro de mim, e a boca cheia de palavras saudosas, porém inaudíveis...
natália nuno
rosafogo