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sábado, 25 de dezembro de 2010

PALAVRAS LEVA-AS O VENTO


















PALAVRAS LEVA-AS O VENTO


Ignoro onde me levam meus passos
Devo porventura desculpar a vida?
Como recuperar  se só restam traços?
Em boa verdade, me sinto perdida.
Rompo com a própria vontade
Sozinha com pensamentos a esmo
Deixo-me a rememorar com saudade
Para não me esquecer de mim mesmo.

O tempo amadureceu este sentimento
De prosseguir, de me apressar no caminho
Não vá acontecer meu desaparecimento
Numa noite breve, meu descaminho.
Já nem sei com rigor nada a meu respeito
Só sei que estou numa idade diferente!?
Se é dia ou crepúsculo, a hora a que me deito!?
Se muitos ou poucos os passos em frente.

Face ao desconhecido, a imaginação é que tece
Não é medo não, só mau pressentimento!
Mas a Vida já nem aquece nem arrefece!
«Palavras, palavras leva-as o vento».

rosafogo
natalia nuno

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

PARTO SEM DESTINO













PARTO SEM DESTINO
Parto sem destino
Dobro a última esquina
Faço aceno ao Divino
Recordo quando era menina
Meus passos tristes e lentos
Virgem de sonhos e pensamentos.

Faço pequeno balanço da vida
Alimento esperança, nem sei de quê
A memória levo já descolorida
E a luz nos olhos já mal se vê.
Esqueço o encantamento e a emoção.
Trago comigo a nostalgia da infância
Talvez me chegue a madrugada ao coração.
Surja alguma estrela, nesta febril ânsia.



Levo comigo o tudo e o nada
Encho-me de liberdade, como pombo solto
E se alcançar a madrugada?!
Não volto!
Parto-me na lonjura
Esqueço tudo no meu olhar caído
Já de mim não sinto pena, só loucura,
Pena do tempo eu ter perdido.

Já não tenho a força da semente
Morro nestas palavras e sua inquietude
Neste sonho reposarei serenamente
Levo da vida saudade da Juventude.


natalia nuno
rosabrava

sexta-feira, 16 de julho de 2010

CAMINHADA



















CAMINHADA

Meus passos tropeçantes
Tamanha mudança!?
Que é feito dos sorrisos exuberantes?!
No rosto daquela criança?
Ainda ontem, num ontem qualquer!?
Construia seu tempo novo
Agora, já não ri esta mulher!
Ri a Vida, que fez dela um jogo.

No albúm da memória procura fotografia
E, assume a sua Morte
Antecipa-se ao que o destino queria
Abandona a sua estrela da sorte.

Passou o tempo, uma eternidade
Resta a memória dum passado
Preenche o que resta com a saudade
No seu coração agrilhoado.

O tempo seu cabelo enbranquece
Seus olhos são agora planaltos nevados
E só o seu coração não esquece
Vai batendo num rítmo descompassado.
O olhar deixou de brilhar
O tempo o encobriu sem cura
Quem pode o tempo afrontar?
Se o tempo inquieto é de loucura?!

Já ouço o vento a chamar-me
É o sinal da partida
Para quê há-de apressar-me?!
Se tenho a Vida perdida?!
Melhor é não sentir, nem ver
Que a Vida é nó que breve desata
Mas nunca ninguém vai saber
Da partida, qual a data.

natalia nuno
rosafogo