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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

PARTO SEM DESTINO













PARTO SEM DESTINO
Parto sem destino
Dobro a última esquina
Faço aceno ao Divino
Recordo quando era menina
Meus passos tristes e lentos
Virgem de sonhos e pensamentos.

Faço pequeno balanço da vida
Alimento esperança, nem sei de quê
A memória levo já descolorida
E a luz nos olhos já mal se vê.
Esqueço o encantamento e a emoção.
Trago comigo a nostalgia da infância
Talvez me chegue a madrugada ao coração.
Surja alguma estrela, nesta febril ânsia.



Levo comigo o tudo e o nada
Encho-me de liberdade, como pombo solto
E se alcançar a madrugada?!
Não volto!
Parto-me na lonjura
Esqueço tudo no meu olhar caído
Já de mim não sinto pena, só loucura,
Pena do tempo eu ter perdido.

Já não tenho a força da semente
Morro nestas palavras e sua inquietude
Neste sonho reposarei serenamente
Levo da vida saudade da Juventude.


natalia nuno
rosabrava

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

MENINA








MENINA

Lá vai a menina

A menina lá vai

Segue a sua sina

Olhai-a olhai!?



A menina já chora

Chora a sua sina

O amor foi embora

Chora agora menina.



O amor foi embora

Mas que triste sina!

Chora agora chora...

Lá vai a menina.



Olhai-a...olhai!

Lá vai a menina

Lá vai, lá vai

Segue sua sina.

O amor foi embora

Pobre da menina

Chora ela agora.



Olhai-a...olhai!

Lá vai a menina

Lá vai, lá vai

Cumprido a sina.



rosabrava



Um leve momento, olhando uma borboleta livre,

que volta sempre à mesma flor.

natalia nuno
rosabrava

domingo, 17 de outubro de 2010

ATALHOS DE MADRESSILVA


















ATALHOS DE MADRESSILVA
Deixo para trás a tristeza adormecida
Sonhei-me menina correndo solta
Numa manhã orvalhada e colorida
Girava o Mundo e eu girando à sua volta.
Sentindo-me leve como uma pena
Flutuando lentamente, serena.

Meus olhos ficaram verdes côr de feno novo
Brinco por atalhos de madressilvas ladeados
Minha gente olho e me comovo
Também sinto os cheiros doces dos silvados.

Lá sigo a escolher caminho
Saia agitada ao vento...
Agora ouço o canto dum passarinho
Lamentoso, vivendo em meu pensamento.

E assim vou rememorando a vida
Sonhando, vivendo um pouco aqui
Morrendo um pouco ali.
Sempre num cismar perdida.

Amanhece, minha alma fria de cansaço
Aclara o dia já sossego
Desta canseira já renasço!
E à vida de novo ganho apego.

roasabrava
natalia nuno